segunda-feira, 17 de novembro de 2008

MEU ENCONTRO COM "ZÉ DO CAIXÃO"



Ontem estive na FENALBA, espécie de Bienal do Livro da Baixada Santista, em Santos. Foi decepcionante por um lado. Poucas editoras convidadas, stands fracos, livros a preços exorbitantes e público zero. Com esse balanço, não vou usar eufemismos, foi um fiasco mesmo. Ao chegarmos ao evento, eu e minha amiga Fernanda, vimos uma fila para o Café Cultural. Um conhecido me informou que o convidado era o diretor cult de cinema e ator José Mojica Marins. Sim, ele mesmo, o "Zé do Caixão". Mas para participarmos teríamos que ter feito o cadastro pela internet. Saímos frustrados. Minutos depois, anunciaram recrutamento de público para o bate-papo. Ficamos felizes com a possibilidade de não perdermos o nosso dia. Entramos na sala-aquário e Mojica já estava lá, no centro, impronunciável. Mesmo não estando “montado”, a presença dele é muito marcante. E nem falo especificamente daquela unha gigantesca que causa um certo nojo nas pessoas e que para mim é mais um charme dele. Os olhos, as roupas pretas, a maneira de falar, enfim, realmente (ele usa esta palavra repetidas vezes), é uma figura impressionante. O bate-papo foi muito bom. Eu que não conhecia nada dos filmes dele fiquei bem tentado a alugar um dos DVDs, o mais trash possível. Depois de assistirmos ao making off do seu mais recente sucesso, “Encarnação do Demônio”, pudemos ver o quanto ele é querido pelo público e o quanto as pessoas se interessam pelo seu trabalho. Os assuntos giravam em torno de curiosidades sobre a sua obra cinematográfica, mas, lá pelas tantas, ele falou algo que não esqueci até agora: “Deus criou o homem e o homem criou o diabo”, ao explicar que era religioso. Também aconselhou aqueles que querem fazer cinema no Brasil: “Persistam. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Acho que é essa sua simplicidade que toca as pessoas. Fiz uma foto bem legal dele, em P&B, espero que vocês gostem. Ah, não resisti e comprei também um boné preto, personalizado com o rosto dele. Ele o autografou de forma bastante simpática e já é o meu mais recente objeto de estimação. Bem, vou ficando por aqui porque ainda tenho alguns quadros para pintar até o Natal. Em breve, posto as fotos. E a vida segue mais terrível rs.

2 comentários:

[Farelos e Sílabas] disse...

...

Lu:

Ato 1:

Zé Caixão em meio ao caju! Hehe! Prefiro, deixa-me ver... Reservo-me no direito constitucional de não emitir provas contra mim mesmo... (rs) Fato é que me alegra em saber da abertura que se dá para uma lenda do cinema dito “trash”, recentemente visto por lentes críticas como tal. Assim como o papa é pop, nos versos dos Engenheiros do Hawaii, o “trash” também o é.

Ato 2:

Suas fotos são cenas arrancadas de película. Penso que você deva recortar, revelar (ou imprimir, que o seja!) e ao final substantivar como fotografia. É uma redução. Os teus “flashes” alcançam mais que isso. Formam um conto. Será que ninguém ainda percebeu?

Apagando as luzes:

A vida segue cada vez mais assustadora. Quem disse que viver não é um susto? Graças a Deus, inclusive, pelos sonhos e pela (ir)realidade.

Abração vitamínico, rapá!

...

Luís Bacchi disse...

Mojica...Foi incorporado a sociedade de consumo....Filmes, DVDs, bonés, camisetas, CDs, porters, etc e etc...Tristeza....

O sistema absorve tudo, tudo vira produto, a maquina de moer gente e de simular arte.

Nada contra produtos. Mas o produto "cult" e o produto "arte" são sempre os produtos mais superficiais e ôcos que existem.

Preferia o Mojica quando o "Mojica" era o Mojica. Viva o Zé do Caixão. Aquele outro. O original. Com falta de grana original. Com publico original. Num mundo que era mais original.

Mas gosto do Mojica. Só que agora ficou mais dificil gostar. Porque agora...agora o Mojica está mais terrificante do que nunca. Agora o Zé do Caixão reencarnou na sua própria alma.

Brrrrr...Que mêdo!!!!

bjs
Luís
(se não publicar, entenderei...)