domingo, 23 de novembro de 2008

CELEBRAÇÃO DO SILÊNCIO II


“Era verdade; ele era quase completamente feliz”.

Escolhi essa frase da Virginia Woolf, porque, de ontem pra cá, me bateu uma vontade, sem precedentes, de sumir. Não me perguntem pra onde. Topo qualquer destino, desde que, nesse lugar, eu seja uma outra pessoa. Fiquei horas olhando para os mesmos quadros, esboços e tintas e me perguntando: “É isso?”. Quis dormir. Em vão. Verifiquei e-mails, mas não havia nada que modificasse a minha vida. Tentei até o áudio-livro “O Pequeno Príncipe”, mas, de tudo que ouvi, o mais interessante foi: “Desenha-me um carneiro...”, no que fiquei repetindo aquilo feito um parvo, imitando o pequeno monarca com uma vozinha esquisita. Cheguei à conclusão de que toda pessoa que trabalha com criação artística, que tem que extrair idéias de si mesmo, todos os dias, deve passar por esse esgotamento emocional. Agora só me interessa saber quando renasço. Pode ser amanhã ou quem sabe quando estiver transbordando daquele estado de amor que deixa as pessoas a um palmo do chão. Ou quando superar o medo da perda e cativar inúmeras pessoas a quem possa chamá-las de meus amigos. Ou, o menos provável, se perceber que tudo isso não passou de um pesadelo. É melhor vocês ficarem com as belas imagens que fiz na orla de Santos e que fazem parte da continuação da série “Celebração do Silêncio”. E a vida segue gótica.




PADRES DO CALENDÁRIO

O fim do ano chegou e já estão na rede as imagens dos calendários mais bacanas de 2009. O da Pirelli, como sempre, está incrível. Inusitado mesmo só o do Vaticano, com doze de seus jovens padres, em fotos P&B. Calma, ninguém está sem a batina. Pelo contrário, as fotos são de uma inocência bizarra. Pelo que li no site do Cesar Giobbi, a intenção da Santa Sé é levar informações sobre o Vaticano para a população e NÃO instigar quaisquer tipos de desejos pecaminosos. Ah bom!!!... Tem algum católico aí? Não???

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PRECISA TANTO?

Os escritores já não sabem mais o que fazer para venderem seus livros. Precisa tanto?

MEU ENCONTRO COM "ZÉ DO CAIXÃO"



Ontem estive na FENALBA, espécie de Bienal do Livro da Baixada Santista, em Santos. Foi decepcionante por um lado. Poucas editoras convidadas, stands fracos, livros a preços exorbitantes e público zero. Com esse balanço, não vou usar eufemismos, foi um fiasco mesmo. Ao chegarmos ao evento, eu e minha amiga Fernanda, vimos uma fila para o Café Cultural. Um conhecido me informou que o convidado era o diretor cult de cinema e ator José Mojica Marins. Sim, ele mesmo, o "Zé do Caixão". Mas para participarmos teríamos que ter feito o cadastro pela internet. Saímos frustrados. Minutos depois, anunciaram recrutamento de público para o bate-papo. Ficamos felizes com a possibilidade de não perdermos o nosso dia. Entramos na sala-aquário e Mojica já estava lá, no centro, impronunciável. Mesmo não estando “montado”, a presença dele é muito marcante. E nem falo especificamente daquela unha gigantesca que causa um certo nojo nas pessoas e que para mim é mais um charme dele. Os olhos, as roupas pretas, a maneira de falar, enfim, realmente (ele usa esta palavra repetidas vezes), é uma figura impressionante. O bate-papo foi muito bom. Eu que não conhecia nada dos filmes dele fiquei bem tentado a alugar um dos DVDs, o mais trash possível. Depois de assistirmos ao making off do seu mais recente sucesso, “Encarnação do Demônio”, pudemos ver o quanto ele é querido pelo público e o quanto as pessoas se interessam pelo seu trabalho. Os assuntos giravam em torno de curiosidades sobre a sua obra cinematográfica, mas, lá pelas tantas, ele falou algo que não esqueci até agora: “Deus criou o homem e o homem criou o diabo”, ao explicar que era religioso. Também aconselhou aqueles que querem fazer cinema no Brasil: “Persistam. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Acho que é essa sua simplicidade que toca as pessoas. Fiz uma foto bem legal dele, em P&B, espero que vocês gostem. Ah, não resisti e comprei também um boné preto, personalizado com o rosto dele. Ele o autografou de forma bastante simpática e já é o meu mais recente objeto de estimação. Bem, vou ficando por aqui porque ainda tenho alguns quadros para pintar até o Natal. Em breve, posto as fotos. E a vida segue mais terrível rs.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

EXTRA-EXTRA!

Nesta semana estive na Osklen, do Cidade Jardim, acompanhando dois amigos. Ao correr o olho no novo catálogo da marca, senti falta da modelo Carol Pantoliano que fotografei em seu début nas passarelas, em 2006 (foto), e que havia feito a campanha deles, na estação anterior, mas que agora nem o vendedor da loja sabia de quem se tratava. Coincidentemente a resposta sobre o paradeiro da moça veio, no dia seguinte, no blog da Lilian Pacce. Carol deixou de modelar para, pasmem agora, estudar e praticar esportes. Ela que em pouquíssimo tempo fez trabalhos para i-D, Número, Harper's Bazaar, campanhas para Balenciaga, Benneton e Osklen, elogiada por Angus Munro, diretor de casting do fotógrafo David Sins, considerada a beleza do momento, de repente, não mais que de repente, abandonou a carreira :-(. Volta, Carol!



Não é nenhuma novidade que eu curto muito o trabalho da artista plástica Beatriz Milhazes, mas só ontem fui me dar conta de que a exposição dela já está quase no final e eu não havia postado nada aqui. Então, quem não foi ainda, tem que ir correndo. Depois de São Paulo, talvez só mesmo em Londres, Madrid, NY... Os quadros são lindos, supercoloridos, com um pé no barroco e outro na arte contemporânea. Numa das salas, os vidros das janelas (foto) foram adesivados com motivos característicos da obra dela (aqueles círculos que eu também adoro pintar). O ambiente ficou com uma luz toda especial e uma atmosfera bem lúdica. As crianças adoram e os gringos também. A exposição de tão "bombada" foi eleita a melhor da cidade pela Vejinha. Fica até o final do mês, na Estação Pinacoteca, no Centro. Aos sábados, a entrada é franca. Eu já vi umas quatro vezes e não me canso.





Conheci recentemente o meu amigo e vizinho de blog, Cristiano Félix, do Extra-Ordinário. Em seu rasante por São Paulo, prometi ciceroneá-lo pelo circuito dos museus da cidade, mas esqueci que, na segunda-feira, estão todos fechados. Mesmo assim, passamos um dia muito agradável. Conversamos centenas de assuntos. Repórter em Natal, onde mora, ele é também cronista (recomendo o seu texto), edita um anuário de moda por lá e não vive sem música. Sucesso, Crico! A nossa foto lambe-lambe ficou ótima rs.


domingo, 9 de novembro de 2008

NAQUELA ESTAÇÃO





Para ver ao som de "Naquela Estação", de João Donato, Caetano Veloso e Ronaldo Bastos, na voz de Adriana Calcanhotto.

O FLAUTISTA DA ESTAÇÃO DA LUZ

Tudo que não se vê é mais fácil de imaginar?

Não sei o que me faz prestar tanta atenção nas coisas. Talvez um desejo inconsciente de desviar o olhar de mim para o outro. E não me importa quem ou o que seja o outro. Qualquer coisa pode ser recreio para os olhos. Literalmente. Confesso, podem me tirar todos os sentidos, mas não suportaria viver sem a visão. Tudo pra mim é muito visual. Por isso entendo aquele amargor no final da vida de Jorge Luís Borges. Tudo isso pra dizer que, como sempre faço depois de sair da Estação Pinacoteca, passei na Estação da Luz, mas dessa vez para registrar algumas imagens em P&B. Um dia perfeito para elas. A luz dramática do final da tarde, o metrô ainda bastante movimentado, personagens anônimos incríveis. Muitos estranhos. Ser estranho é tão bom, né? Não há preocupação com a vergonha de ontem e nem com o medo de amanhã, apenas vive-se no anonimato de ser. Longe da movimentação de passageiros, um casal de namorados (ou seria amantes?) se destacava dos demais pelas suas “feições petrificadas de alheamento”, encostados à grade de proteção, no piso superior. Uma cena que me lembrou, imediatamente, uma reportagem da Marie Claire sobre a China que li, nos anos 90. Fiquei ali por algum tempo e depois fui embora. A imagem da mãe boliviana apoiando o filho para que ele visse a partida do metrô é uma das melhores que já fiz até hoje. Enfim, julgava já ter tido um dia bom, uma aula boa, imagens interessantes, mas, para minha total surpresa, naquele mar de gente que invade a Estação, de minuto a minuto, vejo um velhinho tocando uma flauta, solitariamente, numa dessas escadas que intermedeiam as rolantes e que as pessoas só as usam, quando não há outro jeito. Fiquei olhando um pouco pra ele, louco pra registrar aquele momento, mas segui adiante. No entanto, não pude cruzar a catraca, voltei para fazer aquela imagem. Claro, pedi a autorização e ele ma concedeu. Aproximando mais, porque ele também não me ouvia direito, percebi que era cego. Não só cego como tinha também um olho vazado. Imaginem, vocês, uma pessoa com todos os motivos do mundo para ser infeliz, mas que, ainda assim, não aparentava tristeza. Melhor, não vivia tristeza. E sem amigos, mas com uma flauta. Fiz um videozinho, o primeiro que posto aqui, desse momento tão tocante. Espero que vocês gostem.

video

domingo, 2 de novembro de 2008

UM CERTO TEMPO




Belíssima exposição "Diário de Bolsa", da fotógrafa Vania Toledo, na Pinacoteca. A exposição é recheada de flagrantes saborosos de artistas e pessoas anônimas, com um clima bem retrô. Vale a pena conferir.

OS EGONAUTAS_# 04

INT./NOITE. BAR.

Você bem que podia fazer uma comunidade pra mim, no Orkut, né?

Pelo amor de Deus! Até aqui, Cadu?

Eu sou o seu melhor amigo, o mais articulado, confiável...

Modesto.

Vai dizer que, pra você, eu não sou interessante?

Nivelando assim por baixo, até o Mark Chapman é uma figura interessante.

Eu também li O Apanhador no Campo de Centeio, tá bom?

Mas não teve a brilhante idéia de matar o John Lennon. OK. OK. Foi só pra chocar. Meu, pára de perseguir esse lance de fama na web. Se tiver de rolar, vai ser naturalmente.

E um verbetezinho na Wikipedia?

Às vezes, eu acho que você saltou das páginas de um desses livros do Nick Hornby e tá aqui pagando de adulto. Não é possível!

Todas as pessoas que interessam na Internet têm uma comunidade pra chamar de sua, pra se exibir pros amigos. Menos eu.

Empresta uma grana aí, vai. Estou sem um puto pro cigarro.

Só se você fizer a minha comunidade.

Ordinário. Mas, olha, não vou perder meu tempo moderando essa sua autolouvação, não, viu?

Vendida.