sábado, 11 de fevereiro de 2012

QUEM CANTA O QUE QUER,,,



Depois de meses prometendo ser o lancamento musical do ano, assisti ao clipe novo da cantora Madonna e de cara torci o nariz. A musica e tao chata e grudenta que faz qualquer cantor de axe music parecer o supra-sumo da MPB. O clipe e pior ainda, repete os mesmos cliches de sempre, caroes e autolovacao. Criatividade zero. No desespero de se manter no topo e de causar impacto com suas noticias, a cantora nao mede mesmo esforcos para aparecer e semore que pode manipular a midia. Mas tem passado dos limites. Pedir aos fas que guardem dinheiro para assistir ao seu show foi, de longe, a coisa mais ridicula que ela ja pronunciou em toda a sua carreira. Por outro lado, isso reflete o que todos nos ja sabiamos sobre ela e fingiamos nao perceber, a diva pop so quer mesmo lucrar com os seus fieis seguidores. E nao se trata de implicancia minha,  nao. Reconheco que ela e ainda um grande nome da musica pop, gosto muito do seu trabalho dos anos 80 e 90, mas depois ela so foi despencando e precisa urgente sair da zona de conforto ou simplesmente pendurar as chuteiras, o que deve ser quase impossivel. Pelo menos por enquanto. A apresentacao no Super Bowl foi tao carnavalesca e megalomaniaca que so serviu mesmo para disfarcar o seu cansaco criativo. Sim, porque dar piruetas pra la e pra ca nao e atestado nenhum de qualidade musical. Eu ainda acho antologica a apresentacao do Michael Jackson no mesmo evento, em 1993, a luz do dia, num palco bem menos ornamentado, mas ninguem desgrudou os olhos do artista um unico segundo, um primor de apresentacao  e que se encontra facilmente na internet. 
Passei a semana vendo noticias pipocarem sobre uma nova estrela, Lana Del Rey. Conhecem? Fui correndo atras, avido por uma boa novidade. Nao tive paciencia para garimpar tudo, mas apesar de Born To Die ser extremamente melancolica (e por isso a considero tambem uma representante mor desses tempos bicudos na America), gostei da voz da cantora e ate do seu aparente jeito inseguro. Visualmente tem uma elegancia natural que me agradou. Ainda vamos ouvir muito falar dela, para o bem ou para o mal. Melhor aguardar.
Mas o que me deixou irritado mesmo foi a frase infeliz do estilista Karl Lagerfeld sobre a cantora britanica Adele: “Ela e um pouco gorda demais, mas tem um rosto bonito e uma voz divina”. Ta, mas por que ela nao pode ser gorda? Qual o problema? Depois que choveram criticas, o todo poderoso da Chanel resolveu se desculpar publicamente, mas e aquela historia, uma vez a flecha lancada... Merece ou nao merece um bom “#Cala a boca, Lagerfeld!”? Todos nos sabemos o quanto a industria da moda ignora pessoas acima do peso, mas fazer disso uma condicao para a pessoa ser aceita e um crime. Eu, sinceramente, acho a cantora linda e com aquela voz ela nao precisa de mais nada, apenas ser feliz. Torco para que a apresentacao dela no Grammy seja um sucesso. Ouvi o seu Cd “21”, tao logo cheguei a Amsterdam no ano passado, e de certa forma ele se tornou a trilha sonora dos meus dias cinzentos por aqui. Na minha humilde opiniao, o CD inteiro e muito bom e eu sempre me emociono toda vez que ouco Someone Like You.
Outro aue que teve grande repercussao foi o (ultimo?) show da cantora Rita Lee, em Aracaju, nao e? A cantora que e bastante conhecida por suas letras irreverentes terminou xingando os policiais de “cavalos” e resultou na maior confusao. Ainda que eu concorde com boa parte do discurso dela, afinal todo mundo sabe que nao e a primeira vez e nem vai ser a ultima que alguem fuma maconha em show e realmente e uma hipocrisia esse patrulhamento besta sobre a maconha no Brasil (cheio de problemas maiores, ne nao?), mas tambem nao precisava tanto. Os policiais estavam no cumprimento do seu trabalho e, pelo que eu vi no video divulgado pelos telejornais, nao houve agressao fisica, etc. Com ou sem confusao, vamos sentir saudades da cantora nos palcos. Volta, Rita!
Sem querer puxar brasa pra nossa sardinha, mas ja puxando, o que eu curti mesmo foi o novo CD da Gal Costa, Recanto, que ouvi por aqui no mes passado, na casa de um amigo. Achei de cara a sonoridade estranha e so por isso ja o considerei corajoso e interessante, afinal de contas os artistas hoje estao cada vez mais caretas musicalmente... Quando soube que as letras e a producao eram do Caetano Veloso, exultei de alegria,  porque ele e um dos meus cantores favoritos. Gosto bastante do seu jeito inquieto, culto, um exemplo de artista em atividade. A musica Neguinho e um hino contra a burrice e ao consumismo babaca (ter para aparecer), nao tem como ficar indiferente a ela. No primeiro verso ja tem o dedao na ferida: “Neguinho não lê, neguinho não vê, não crê, pra quê”... E nao para por ai, nao, e uma paulada atras da outra:  “Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho? / Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz / Neguinho também só quer saber de filme em shopping”. Genial. Fazia tempo que nao tinhamos nada tao incomodo na MPB e esse disco novo da Gal veio para quebrar esse marasmo. Uma otima pedida, com certeza. Bom, vou ficando por aqui, mas com os ouvidos aquecidos, neste inverno gelado do Hemisferio Norte. Um otimo final de semana a todos!

3 comentários:

Anônimo disse...

Madonna me assusta na realidade, e isto não vai acabar bem, a cantora ainda quer segurar o tempo e o envelhecimento, ainda quer parecer sexy e garotinha, acho que isto não vai acabar bem, quanto a musica... Madonna dá feira pra quem gosta de feira... Ela me cansa.

M. disse...

Eu tive minha época de fã de Madonna, mas assistindo a apresentação dela no Super Bowl tive a mesma impressão que você. Ela está numa zona de conforto muito grande, agravada pelo fato de é considerado um "ideal" pelas novas artistas pop, principalmente Lady Gaga. Carnavalesco e megalomaníaco, definiram bem.

Sobre a letra de Gal, eu vi ela cantar esta musica no programa Altas Horas e me chamou a atenção pela letra mesmo. Evidentemente, não é mais do mesmo.

Abraços!

Luck® disse...

Pois é... Eu comentei em algum lugar que ela tava "estranha", não parecia a mesma Madonna!

Uma super-produção (deve ter custado pencas), mas assim mesmo super-produção não significa "bola dentro"!

Pensei: Que "estranho" (estou me repetindo, mas não encontrei termo que melhor coubesse na "performance") aqueles giros... Os saltos... Será que estão apertando os pés da Mad?

Depois, dei um desconto; Hesitei: Bem, ele tem 5.x anos...

Porém, voltando ao juízo: Não, ela nem precisava daquilo.

Muito "American Way" pra alguém que se tornou o que se tornou, inventando. Agora copiando?

Talvez tenha sido tudo muito encomendado. A moral americana tá na merda e ela começou com uma impratriz e terminou rogando por justiça (Like a prayer). Muitas coincidências...

Mas isso é viagem minha; No frigir dos ovos, Madona caiu, mesmo. Se é natural, tudo bem, não discuto. Mas é por isso que é bom saber a hora de se adequar ou parar.

Quanto a Adele, por gentileza: Desconfie! Há muita armação pra cima de tudo que o Tio Sam inventa: Se Lagerfeld falou besteira, me dou a chance de acreditar que polêmica é bem-vinda e que ninguém acostumado a câmeras sai falando besteira inda mais às vésperas de premiação ou então sobre alguém que a mídia tá enfgiando gule a abaixo do Mundo todo (e isso não tem nada a ver com a competência, com o timbre da cantora - que se registre!).

Bem, é isso. Quanto a Rita Lee, bem, ela é meio insensata. Mas não quero ser pura polêmica (e, ao contrário dos artistas não ganho popularidade nem nada com isso).

Caetano e mais uma trupe inteira pós ditadura, se acomodaram pra lá de confortavelmente no "novo" Brasil e por isso, "falar a verdade" quando ela está distante, pra mim pé demagogia.

Ok, na hierarquia musical, as críticas têm lá minha preferência, mas eu queria mesmo é ver uma geração desconfortável com essa realidade deprimente, sufocadoramente hipócrita. Não há!