























A volta pra casa não poderia ser mais receptiva, um lindo arco-íris já nos esperava, no começo da Serra, nos saudando ou sinalizando para um novo tempo de alianças e recomeço. E é sempre assim que me sinto, depois de longas viagens, revigorado e pronto para o que der e vier. Claro que, lá no fundo, existem também um pouco de melancolia e a saudade dos amigos que fiz e deixei em Salvador, mas tenho certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vou visitá-los novamente. Aproveito também, para agradecer, desde já, a todos que comentaram aqui, ou melhor, que “fizeram” essa viagem comigo. Agora que já estou em casa, vou poder visitar os blogs e me atualizar de tudo que anda rolando na bloguesfera.
O post vai ser um pouco bagunçado mesmo, vocês me desculpem, por isso o título “Restos do Carnaval”, muito inspirado naquele conto homônimo da Clarice Lispector e no que vivi durante os meus dias de folia. Pra começar, o saldo do meu primeiro carnaval, em Salvador, não poderia ter sido melhor: muita diversão, zero de aborrecimento, sem me envolver em nenhuma briga ou mesmo ser vítima de algum roubo ou coisa do gênero. Graças a Deus e a todas as forças que governam esse estado maravilhoso! Saí, todos os dias, no trio da Daniela Mercury, e, entre tantos momentos inesquecíveis, destaco o dueto dela com Caetano Veloso em “Mimar Você”, quando cantou “Milagres do Povo”, em frente ao seu camarote, e, andando na rua, perto do Farol, cercada de seguranças, agradecendo emocionada aos seus fãs e foliões. No ensaio “O carnaval visto de cima”, Camille Paglia conclui que “cada peregrino que vai ao carnaval de Salvador se torna um cidadão soteropolitano e uma parte viva da história da cidade”. Ela tem toda razão. Em poucos lugares me senti tão integrado à cultura quanto lá.
Por um golpe de sorte, me permitiram entrar nos Filhos de Gandhy e fotografar, por míseros três minutos, a passagem do “tapete branco da paz” pela Barra. Não quero parecer piegas, mas ainda que seja, não me canso de dizer que esse foi o dia mais emocionante. É um dos blocos mais lindos e tradicionais (61 anos) de Salvador. Vocês podem conferir nas imagens. O som dos agogôs, o cheiro de alfazema, aquelas roupas branquíssimas contrastando com o céu azul,... Voltei pra casa com o espírito nas alturas. Eles fazem o maior sucesso entre as mulheres e os gays. É comum até as meninas ganharem um colar de contas azul e branco, em troca de um beijo na boca. Uma amiga de São Paulo conseguiu um e ficou toda feliz. Em Ondina, no final do percurso, eles fazem até fila e “maliciosamente” propõem o “escambo” rs. Mas, que fique bem claro, essa prática, sem dúvida, deve ter sido inventada por algum turista e em nada chega a macular a seriedade dessa instituição baiana. Eu, particularmente, acho até divertido e até pretendo, um dia, sair no bloco.
Assisti pela TV ao desfile da Unidos da Tijuca e achei um show de criatividade do Paulo Barros. Indiscutível o primeiro lugar. Aprovo essa reinvenção das escolas de samba, porque, cada vez mais, os desfiles estão se tornando técnicos, com ótimos recursos cenográficos, enfim, um espetáculo para os olhos mesmo. Mas achei fraca a nova transmissão da Globo. Lá pelas tantas, quando a Glenda Kozlowski comentava sobre uma ala da Grande Rio que homenageava a imprensa, Luiz Roberto me saiu com essa: “O que seria do carnaval sem a imprensa?”. Vou fazer de conta que não entendi. E o que foi a Madonna agradecendo em italiano a sua “felicidade” em estar, no carnaval do Rio, hein? Lamentável. Vendo depois as imagens, nas revistas, fiquei em dúvida. Era ela mesma ou a Meryl Streep? Bem, chega de carnaval, os dias de ócio terminaram, agora o ano começou de verdade e a vida deve seguir mais séria. Abração!!!