sábado, 31 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
MERRY CHRISTMAS
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
CHOVE LA FORA E AQUI...
Faz um tempinho que nao posto nada no Blog e confesso que e por pura falta de vontade mesmo, muito tambem pelo fato de que aqui na Holanda nao acontece nada de tao extraordinario assim e depois ficar escrevendo sobre a crise economica na Europa ou a saida novelesca da Fatima Bernardes do JN, convenhamos, nao da! O fato e que ontem fui dormir cedo e hoje acordei de madrugada, vi o Blog paradao e resolvi passar a limpo as ultimas “grandes” novidades desse finalzinho de outono gelado por aqui. Pra comecar, faz dois meses que praticamente me mudei para um atelier no Westerpark, um bairro bem tranquilo e repleto de studios e artistas, aqui de Amsterdam. Foi la que desenvolvi uma serie de colagens chamada Ecstasy of the Sacred (Extase do Sagrado), inspirada em obras barrocas ou renassentistas e cujo objetivo e mesmo renunciar ao discurso de poder dessas imagens religiosas. Eu ja postei algumas imagens no meu Flickr, mas estou tentando registrar em video como foi o processo desse trabalho e postarei aqui em breve. O que eu posso dizer de mais urgente sobre ele e que me deu muito prazer te-lo feito. Primeiro por produzir arte fora do meu pais (mesmo sem nenhuma previsao de expor esses trabalhos aqui) e tambem por ter feito tudo com uma certa dose de sacrificio, o que no final das contas sempre e mais gostoso.
Com algum esforco, assisti a duas exposicoes de arte contemporanea e que realmente valeram a pena. So. Depois de anos sendo sustentados pelo governo e acomodados, varios artistas daqui estao desesperados com os cortes dessa especie de Bolsa Artista. Muitos tem deixado o pais rumo aos lugares mais promissores (China, Brasil, Alemanha, Belgica...). Nao ficarei nada surpreso se em breve ouvir falar que alguns deles estao em Sao Paulo. Bem, se a arte contemporanea daqui nao chega aos pes do que produzimos no Brasil, por outro lado os museus dedicados aos artistas consagrados como Rembrandt, Vermeere e Van Gogh vivem lotados. De todos eles o que mais me interessa e o Van Gohg, que conheci com minhas amigas Angelica e Sandra, numa tarde deliciosa. Foi um dos passeios mais bacanas que ja fiz na cidade. A companhia agradavel e os altos papos com direito a defesa apaixonada de nossas obras favoritas fizeram toda diferenca. Eu sou completamente apaixonado pelas pinturas de Van Gohg e O Quarto em Arles e a minha favorita. Fiquei um tempao admirando a obra. Depois saimos pela cidade, sob garoa, eu ciceroneando a minha amiga Angelica, que mora na Espanha e nao conhecia a cidade; no final fomos parar num coffeeshop, programa quase obrigatorio para quem visita a cidade pela primeira vez. Apesar de nao usar drogas, o que choca algumas pessoas, acho ate positiva essa liberdade que eles tem aqui. Nunca presenciei uma briga ou coisa do genero, tudo e questao de educacao mesmo.
Tive a oportunidade de ajudar tambem um DJ brasileiro que esta comecando a estourar por aqui, Alex Molinardi, na realizacao de um video promocional de uma festa que aconteceu no ultimo final de semana, a VORTEX. O som dele e bem gostoso, com um perfume retro, e o conceito da festa era unir as varias tribos da cidade, me lembrou bastante as festas do Gloria em Sao Paulo e me diverti muito. Tenho a impressao de que o video esta se tornando a grande novidade do momento entre os moderninhos de Amsterdam. Assisti a varios bem interessantes e alguns com ideias bem simples. E por falar em video, qual nao foi a minha surpresa de chegar aqui e receber a noticia de que aquele meu curta Beijo de Novela fechou o ano com participacao em 6 festivais! So fiquei ainda mais estimulado a produzir outros curtas no ano que vem. Agora vou ficando por aqui, mas espero que estejam todos bem no Brasil e a saudade continua gigante. Abracao!
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
BAGUNCANDO A ALEGRIA DO POVO

Continuo na Holanda, mas sempre atento a tudo que acontece no Brasil. Gracas a internet, claro. Nao quero parecer o chato que saiu do seu pais e que, influenciado pelo “primeiro mundo”, passou a cuspir no prato que comeu, nao e nada disso, eu continuo e continuarei amando e sendo grato a minha terra, a minha patria, mas nao da tambem para fechar os olhos para uma serie de coisas que andam acontecendo ai. Com os poucos amigos brasileiros que fiz por aqui, volta e meia discutimos apreensivos como sera a Copa de 2014 e as Olimpiadas de 2016 no Rio. Me sinto totalmente a vontade para falar do assunto porque quem acompanha meu Blog sabe o quanto fui cauteloso na epoca da escolha do Brasil e do Rio para sediarem esses eventos esportivos. Enquanto a maioria dos meus amigos soltavam fogos, eu apenas dizia “Muita calma nessa hora”. Eu sinceramente acho que o Brasil nao esta preparado. E mesmo se conseguissemos implantar uma politica de tolerancia zero pra corrupcao, num passe de magica, ainda assim ficariamos devendo e muito em termos de estrutura e seguranca. Se a intencao era turbinar o nosso turismo, por que entao nao ficar apenas com a Copa e fazer todas as mudancas necessarias, dentro do prazo e com bastante transparencia? Por que nao investir no esporte para 2020? Vale a pena ser palco apenas para a alegria dos outros? O Rio de Janeiro sempre foi e sempre sera o cartao postal do Brasil, indiscutivelmente. O meu medo e que a cidade se torne um grande canteiro de obras e que o contribuinte pague mais do que deveria pela vaidade de certos politicos, emissoras de TV e principalmente do poderoso chefao da CBF.
E o Rock in Rio, hein? Francamente, nunca vi uma edicao tao cheia de problemas e micos. E nem estou falando especificamente da Claudia Leitte e Ivete Sangalo, porque na edicao anterior teve ate Britney Spears e N`Sinc, mas, vamos combinar? os organizadores conseguiram bater o recorde de trapalhadas, voces nao acham? A estrutura e realmente muito boa, mas misturar roda gigante, tiroleza e ate cartomante virtual ja e um pouco demais. Nao precisava competir com a festa do peao de Barretos, ne? A atriz Barbara Paz foi quem melhor resumiu o espirito da “cidade do rock”: “Nossa, impressionante! Isso aqui parece a Disney!”. E as perolas da atriz Susana Vieira?: “Queria que o Michael Jackson e a Amy Winehouse tivessem vindo / Adorei quando a Rihanna cantou Don’t Stop The Music porque é o toque do meu celular”. Da pra levar a serio um evento que enche a area vip de artistas globais que saem falando essas babaquices por ai? Tudo pra que? Pra gerar essas noticias ridiculas em sites, jornais, revistas e programas de TV de quinta categoria? Mas tambem se um cantor como Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, diz uma asneira dessas: “A gente descobriu que gostava de falar mal de qualquer governo. Fosse ele de direita ou de esquerda, todos são iguais. A regra básica é: nunca confie em político” – pode se esperar mais o que, nao e mesmo? Nao cheguei a ver a cobertura do Multishow, claro, mas li que esta pior que cobertura de carnaval, os apresentadores completamente perdidos, entrevistas fracas e mais perolas bizarras, como esta do Beto Lee sobre um roqueiro: “Lemmy tinha que ser presidente do mundo”. Melhor nem falar do arrastao e do fotografo que teve a sua camera roubada nos bastidores…
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
AQUI DE AMSTERDAM...
sexta-feira, 29 de julho de 2011
GOODBYE, AMY
Queria evitar o lugar-comum do pedido de desculpas pela demora em postar no blog, mas não tem jeito, estou passando por um momento cheio de altos e baixos e vir simplesmente escrever não é muito a minha cara, sem contar que na última semana houve um casamento na minha família e só isso foi suficiente para me fazer desligar do mundo, por conta de pequenas tarefas que me vi obrigado a assumir. Mas, por favor, aceitem as minhas sinceras desculpas, de novo. Em breve, devo estar em viagem e prometo escrever de lá contando as novidades. Como não consegui postar nada no momento da morte da cantora Amy Winehouse, o faço agora, mas não como uma forma de tributo, apenas como uma homenagem simples, um registro da perda de um grande talento e também procurando refletir sobre algumas coisas que me chamaram atenção, a partir da sua morte.
Soube da notícia pelo meu amigo Tiago Cardoso, enquanto recebia visitas em minha casa. Claro que a minha primeira reação foi: “Não é novidade nenhuma, ela já estava ‘planejando’ fazer isso, há muito tempo”. Depois fui tomado por uma tristeza estranha e até uma sensação de impotência: “Por que não fizemos nada, antes?” – pensei. Me lembrei também de que a Amy era sempre um assunto recorrente em minhas conversas com o ator e diretor de teatro Alexandre Acquiste, no MSN. Ora brincávamos com a sua porralouquice e ora nos lamentávamos por ver seu talento sendo tragado pelo uso abusivo de drogas. Num dos intervalos das filmagens do meu novo curta-metragem, “De Corpo e Arte”, paramos também para falar sobre um daqueles episódios deprimentes no qual a cantora sempre se envolvia – se não me engano, a fatídica e última vaia num show na Sérvia. Chegamos à conclusão de que ela estava num processo de suicídio público e a atriz Maria Dias até brincou que tinha vontade de escrever para ela dizendo: “Amy, olha o talento que você tem, deixa eu ser sua amiga, hoje eu passei o dia inteiro ouvindo o seu CD, deixa eu te ajudar!”. Achei linda a demonstração de carinho da Maria.
Na ânsia de buscar uma resposta para a morte dela, a mídia foi unânime em abordar a sua relação íntima com as drogas e a infeliz coincidência com outras perdas memoráveis, aos 27 anos, nas mesmas circunstâncias. Achei bacana o alerta, mas, particularmente, não acredito que ninguém saia se entupindo de drogas – e no caso da Amy de drogas pesadas – por conta de modismos ou simplesmente para fazer um gênero, para ter a sensação de que se pode ir do céu ao inferno, num piscar de olhos. Ficaram devendo essa resposta, se é que ela realmente existe. E, por outro lado, falando agora como fã, ninguém ouvia as músicas dela por que ela era drogada, mas, sim, porque era uma grande cantora, com uma voz excepcional. A impressão que eu tenho é que essas pessoas, apesar do imenso talento, tem um grande vazio dentro de si e que momentaneamente é preenchido pela vaidade, quando a mídia e os fãs as consideram verdadeiros semideuses. Não podemos esquecer que nós é que as colocamos nessas gaiolas de ouro, porque fomos educados só para o aplauso e não para a queda. Quando Elvis Presley começou a engordar, nos anos 70, por exemplo, minha mãe me disse que as pessoas ficaram chocadas. Sempre questionando a forma física dele e muito raramente sobre seus problemas com álcool e drogas. Tudo bem que a mídia não tinha o alcance que tem hoje.
Não acredito muito nessa história de que a Amy quis morrer para se tornar um mito ou coisa parecida. Quando li, meses antes de sua morte, que ela estava preparando um novo disco e que não aceitava que ele fosse inferior ao seu maior sucesso, Back to Black, pra mim isso já foi um pedido de socorro. Hoje ouvimos tantas coisas ruins, em todos os lugares, que os bons artistas não toleram mais erros, equívocos e a cobrança sobre eles é cada vez maior. Ser artista não é nada fácil, fazer parte desse meio é fascinante e ao mesmo tempo muito cruel. Digo isso por estar apenas começando e sentir na pele inúmeras cobranças, mas isso não vem ao caso. Quem não assistiu ao brilhante “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, deveria assistir, porque esse filme traduz muito bem o quanto os artistas se tornam prisioneiros de suas próprias glórias. É imperdível! Não quero me estender muito, mas só para terminar, ontem mesmo a psicanalista Eleonora Rosset falou uma coisa muito interessante, na TV, quando perguntada sobre o que a tem chamado atenção ultimamente: “As pessoas estão querendo ser felizes com muita urgência” – ela disse quase que automaticamente. Não deu outra, abri há pouco o meu e-mail e lá estava uma mensagem de um amigo aqui da cidade: “Perdemos a Amy, mas temos agora a Adele, ouça esta música...”. Eu, sinceramente, achei assustador esse desejo de substituição. Será que não está na hora de repensarmos essa voracidade por novas emoções? Não dá pra parar um pouquinho, sem que o mundo nos devore? Por que fama e dinheiro tem que ser mais importante que formas mais simples de realização? Bem, temos muito a refletir, então vou me despedindo com essa notinha de tristeza. Espero que a Amy descanse em paz e que a minha e as futuras gerações não tenham que ver apenas o desabrochar de um grande talento, que elas possam até terem tempo para compreender o seu declínio. Abração!
sábado, 11 de junho de 2011
HOMOFOBIA FORA DE MODA
Lambendo a cria Estive ontem, em São Paulo, no Parque do Ibirapuera, numa passagem relâmpago e GÉLIDA pela 29ª Casa de Criadores, um evento de moda já tradicional na cidade, cuja missão é descobrir novos talentos pra moda brasileira. Assim que soube que eles estavam promovendo um concurso chamado Homofobia Fora de Moda, a minha amiga e leitora deste humilde blog, Angélica Oliveira, sugeriu que eu participasse. Estava cheio de trabalho por conta do curta-metragem novo, mas, mesmo assim, criei o conceito da minha estampa numa madrugada de sábado para domingo e enviei. O concurso buscava uma imagem ou estampa que fosse símbolo de uma campanha contra a homofobia. Segundo o site do evento, foram 122 inscritos e 30 selecionados para a final. Fiquei entre os 30, mas até o momento não sei quem ganhou, provavelmente não levei porque a minha imagem era uma das mais discretas, mas, mesmo assim, foi bacana ver que algumas pessoas paravam e apontavam a camiseta curtindo a minha ideia, que foi toda inspirada na teoria da evolução das espécies de Darwin. Eles pediram também um texto explicativo sobre a minha inspiração, o qual reproduzo abaixo. Seja lá quem tenha ficado com as primeiras colocações, fica aqui os meus sinceros parabéns. Principalmente as secretarias de cultura do Estado e da cidade São Paulo e ao André Hidalgo da CdC por essa iniciativa bacana.
“Trata-se de uma clara alusão àquela imagem da evolução natural das espécies, de Darwin. Quis mostrar que o gay já nasce gay e vai ser sempre assim e que isso é natural. Se o Homem evoluiu como espécie, precisa também evoluir a sua forma de pensar, de agir, acompanhar as mudanças do seu tempo. Simplificando: a imagem tanto pode ter uma mensagem de autoestima ao dizer aos gays que não se aceitam, “se deixem ser”, como também fazer um protesto, uma provocação saudável aos homofóbicos de plantão, “evoluam o seu pensamento”. Tudo isso de forma leve, com um certo humor e uma pegada pop. Vale lembrar que tanto gays quanto a famosa teoria de Darwin sofrem até hoje resistência de algumas religiões”.
Não é demais dizer que ninguém é obrigado também a concordar comigo. Cada um, cada um. Bem, terminado este pequeno merchan, não posso esquecer de desejar a todos um feliz dia dos namorados, amanhã. E, pra quem ainda está solteiro como eu, a dica é a mesma de sempre, aquela que está no encarte do CD “O Chamado”, da Marina: “acreditar e amar até o fim”. Vou ficando por aqui porque este final de semana vai ser cheio de trabalho. Abração!
