sábado, 31 de dezembro de 2011

HAPPY NEW YEAR!

sábado, 24 de dezembro de 2011

MERRY CHRISTMAS


Como sempre, todo Natal eu me enrolo todo e fico sem tempo para escrever um post decente e apareco aqui com aquela cara de pau para falar das guloseimas que estou preparando para o jantar. Este ano nao vai ser diferente, me desculpem, pois tive uma semana bem cheia e o tempo que me sobrou investi numa receita de peru, afinal como Mario de Andrade escreveu no seu otimo conto "O Peru de Natal", que indico a leitura, "No Natal, quero comer peru". Eu ganhei esse peru da minha amiga Janete, que curte ferias deliciosas no Brasil, enquanto me hospedo na sua casa e tomo conta da sua gata Fiona, em Leiden (uma cidade que fica a 25 min de Amsterdam). Ontem dei uma vasculhada na internet e achei uma receita de peru bem basica. Descongela o bicho, coloca num saco plastico com uma mistura de sal, cebola, alho, vinho branco e pimenta do reino, leva ao forno com papel aluminio, em temperatura media e por cerca de uma hora e meia. Depois e so rezar para dar certo. Bom, eu acrescentei limpar o bicho com limao siciliano e ir regando com azeite e laranja para nao ficar tao seco. Acabei de abrir o forno e parece que esta tudo OK. Dentro eu sapequei algumas batatas para ele nao desmoronar. Peru feio tambem nao da, ne? Vou fazer uma farofa de banana (aquela famosa do Natal passado) e um arroz a grega para acompanhar. So. Ah, e maionese porque ninguem e de ferro. E acho que vai ter ate guarana do Brasil. Espero. Bom, mas o mais importante nesta data nao e nada disso, eu preferia comer um sanduiche com meus parentes e amigos verdadeiros a ter um banquete sozinho. Gracas a Deus, tenho aqui um pedaco da minha familia, mas penso naquelas varias pessoas que conheci aqui na Holanda, de varios paises, cujos pais e amigos estao longe e devem se contentar apenas com um telefonema. E uma situacao bem complicada, voces nem imaginam. Enfim, Natal pra mim e familia, amigos, estar ao lado de pessoas que amamos e eu desejo tudo isso a voces: muito amor, saude, paz, muita prosperidade no ano que vai entrar e que 2012 seja repleto de grandes realizacoes! Feliz Natal! Feliz Navidad! Merry Christmas!!! Abracao!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CHOVE LA FORA E AQUI...





Faz um tempinho que nao posto nada no Blog e confesso que e por pura falta de vontade mesmo, muito tambem pelo fato de que aqui na Holanda nao acontece nada de tao extraordinario assim e depois ficar escrevendo sobre a crise economica na Europa ou a saida novelesca da Fatima Bernardes do JN, convenhamos, nao da! O fato e que ontem fui dormir cedo e hoje acordei de madrugada, vi o Blog paradao e resolvi passar a limpo as ultimas “grandes” novidades desse finalzinho de outono gelado por aqui. Pra comecar, faz dois meses que praticamente me mudei para um atelier no Westerpark, um bairro bem tranquilo e repleto de studios e artistas, aqui de Amsterdam. Foi la que desenvolvi uma serie de colagens chamada Ecstasy of the Sacred (Extase do Sagrado), inspirada em obras barrocas ou renassentistas e cujo objetivo e mesmo renunciar ao discurso de poder dessas imagens religiosas. Eu ja postei algumas imagens no meu Flickr, mas estou tentando registrar em video como foi o processo desse trabalho e postarei aqui em breve. O que eu posso dizer de mais urgente sobre ele e que me deu muito prazer te-lo feito. Primeiro por produzir arte fora do meu pais (mesmo sem nenhuma previsao de expor esses trabalhos aqui) e tambem por ter feito tudo com uma certa dose de sacrificio, o que no final das contas sempre e mais gostoso.

Com algum esforco, assisti a duas exposicoes de arte contemporanea e que realmente valeram a pena. So. Depois de anos sendo sustentados pelo governo e acomodados, varios artistas daqui estao desesperados com os cortes dessa especie de Bolsa Artista. Muitos tem deixado o pais rumo aos lugares mais promissores (China, Brasil, Alemanha, Belgica...). Nao ficarei nada surpreso se em breve ouvir falar que alguns deles estao em Sao Paulo. Bem, se a arte contemporanea daqui nao chega aos pes do que produzimos no Brasil, por outro lado os museus dedicados aos artistas consagrados como Rembrandt, Vermeere e Van Gogh vivem lotados. De todos eles o que mais me interessa e o Van Gohg, que conheci com minhas amigas Angelica e Sandra, numa tarde deliciosa. Foi um dos passeios mais bacanas que ja fiz na cidade. A companhia agradavel e os altos papos com direito a defesa apaixonada de nossas obras favoritas fizeram toda diferenca. Eu sou completamente apaixonado pelas pinturas de Van Gohg e O Quarto em Arles e a minha favorita. Fiquei um tempao admirando a obra. Depois saimos pela cidade, sob garoa, eu ciceroneando a minha amiga Angelica, que mora na Espanha e nao conhecia a cidade; no final fomos parar num coffeeshop, programa quase obrigatorio para quem visita a cidade pela primeira vez. Apesar de nao usar drogas, o que choca algumas pessoas, acho ate positiva essa liberdade que eles tem aqui. Nunca presenciei uma briga ou coisa do genero, tudo e questao de educacao mesmo.

Tive a oportunidade de ajudar tambem um DJ brasileiro que esta comecando a estourar por aqui, Alex Molinardi, na realizacao de um video promocional de uma festa que aconteceu no ultimo final de semana, a VORTEX. O som dele e bem gostoso, com um perfume retro, e o conceito da festa era unir as varias tribos da cidade, me lembrou bastante as festas do Gloria em Sao Paulo e me diverti muito. Tenho a impressao de que o video esta se tornando a grande novidade do momento entre os moderninhos de Amsterdam. Assisti a varios bem interessantes e alguns com ideias bem simples. E por falar em video, qual nao foi a minha surpresa de chegar aqui e receber a noticia de que aquele meu curta Beijo de Novela fechou o ano com participacao em 6 festivais! So fiquei ainda mais estimulado a produzir outros curtas no ano que vem. Agora vou ficando por aqui, mas espero que estejam todos bem no Brasil e a saudade continua gigante. Abracao!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

BAGUNCANDO A ALEGRIA DO POVO


Que Rock in Rio e esse? A proxima capa da Playboy?



Continuo na Holanda, mas sempre atento a tudo que acontece no Brasil. Gracas a internet, claro. Nao quero parecer o chato que saiu do seu pais e que, influenciado pelo “primeiro mundo”, passou a cuspir no prato que comeu, nao e nada disso, eu continuo e continuarei amando e sendo grato a minha terra, a minha patria, mas nao da tambem para fechar os olhos para uma serie de coisas que andam acontecendo ai. Com os poucos amigos brasileiros que fiz por aqui, volta e meia discutimos apreensivos como sera a Copa de 2014 e as Olimpiadas de 2016 no Rio. Me sinto totalmente a vontade para falar do assunto porque quem acompanha meu Blog sabe o quanto fui cauteloso na epoca da escolha do Brasil e do Rio para sediarem esses eventos esportivos. Enquanto a maioria dos meus amigos soltavam fogos, eu apenas dizia “Muita calma nessa hora”. Eu sinceramente acho que o Brasil nao esta preparado. E mesmo se conseguissemos implantar uma politica de tolerancia zero pra corrupcao, num passe de magica, ainda assim ficariamos devendo e muito em termos de estrutura e seguranca. Se a intencao era turbinar o nosso turismo, por que entao nao ficar apenas com a Copa e fazer todas as mudancas necessarias, dentro do prazo e com bastante transparencia? Por que nao investir no esporte para 2020? Vale a pena ser palco apenas para a alegria dos outros? O Rio de Janeiro sempre foi e sempre sera o cartao postal do Brasil, indiscutivelmente. O meu medo e que a cidade se torne um grande canteiro de obras e que o contribuinte pague mais do que deveria pela vaidade de certos politicos, emissoras de TV e principalmente do poderoso chefao da CBF.


E o Rock in Rio, hein? Francamente, nunca vi uma edicao tao cheia de problemas e micos. E nem estou falando especificamente da Claudia Leitte e Ivete Sangalo, porque na edicao anterior teve ate Britney Spears e N`Sinc, mas, vamos combinar? os organizadores conseguiram bater o recorde de trapalhadas, voces nao acham? A estrutura e realmente muito boa, mas misturar roda gigante, tiroleza e ate cartomante virtual ja e um pouco demais. Nao precisava competir com a festa do peao de Barretos, ne? A atriz Barbara Paz foi quem melhor resumiu o espirito da “cidade do rock”: “Nossa, impressionante! Isso aqui parece a Disney!”. E as perolas da atriz Susana Vieira?: “Queria que o Michael Jackson e a Amy Winehouse tivessem vindo / Adorei quando a Rihanna cantou Don’t Stop The Music porque é o toque do meu celular”. Da pra levar a serio um evento que enche a area vip de artistas globais que saem falando essas babaquices por ai? Tudo pra que? Pra gerar essas noticias ridiculas em sites, jornais, revistas e programas de TV de quinta categoria? Mas tambem se um cantor como Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, diz uma asneira dessas: “A gente descobriu que gostava de falar mal de qualquer governo. Fosse ele de direita ou de esquerda, todos são iguais. A regra básica é: nunca confie em político” – pode se esperar mais o que, nao e mesmo? Nao cheguei a ver a cobertura do Multishow, claro, mas li que esta pior que cobertura de carnaval, os apresentadores completamente perdidos, entrevistas fracas e mais perolas bizarras, como esta do Beto Lee sobre um roqueiro: “Lemmy tinha que ser presidente do mundo”. Melhor nem falar do arrastao e do fotografo que teve a sua camera roubada nos bastidores…


E, pra terminar, eu gostaria de registrar aqui o meu repudio a revista Veja desta semana que trouxe na capa o ator Reinaldo Gianechinni. Na minha opiniao, ele foi exposto de forma grosseira, por conta do momento delicado pelo qual esta passando: em pleno tratamento contra um cancer no sistema linfatico. Sempre li a revista e admiro muito alguns dos seus colaboradores, mas tambem nao esqueco de que Cazuza ja passou pelo mesmo constrangimento, Elis Regina e muito recentemente o ator Fabio Assuncao. Nao precisava, ne? Achei a reportagem invasiva, desnecessaria, seria mais digno se o proprio ator autorizasse o uso da sua imagem ou concedesse uma entrevista. Mas infelizmente estamos no auge da superexposicao e isso ja seria pedir demais. Eu, como fa, quero mais e que ele se recupere logo, seja por meio de um tratamento convencional ou espiritual. Tenho certeza de que o Brasil inteiro esta fazendo essa corrente positiva. Bom, pessoal, sei que o post ta meio rabujento, chato, mas eu precisava escrever sobre isso, baguncar a alegria do povo. Abracao e ate a proxima!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

AQUI DE AMSTERDAM...

Um dos lugares mais incriveis da cidade, onde estao os melhores museus





Ah, as bicicletas!

Queria evitar um post com cara de guia de viagem, mas isso vai ser impossível, pessoal. Uma semana em Amsterdam/Holanda e estou adorando a cidade. Sempre quis conhecer outros países, mas não imaginava que viria parar por aqui agora. A viagem foi um presente pra lá de especial do meu irmão do meio e eu que não sou bobo nem nada aceitei imediatamente. Adorei a aventura de sair do Brasil sozinho e vir até a Europa mochilando. Bem, deixarei para falar da vida cultural daqui depois e vou tentar ser bem mais objetivo nessas primeiras impressões. A viagem seguiu tranquila, tirando aqueles incômodos de praxe, 14 horas de viagem e a tensão de ser rejeitado na Comunidade Européia. Todos os documentos em mãos e fui liberado tranquilamente. Apenas um incidente. Como havia esquecido umas moedas de real no meu bolso, o detector de metais apitou e em segundos passei a ser considerado o inimigo público número um da Alemanha rs, durante a minha escala em Frankfurt. Quase me pediram pra ficar pelado rs. Pouco mais de uma hora e já estava em Amsterdam. Meu irmão foi me buscar no aeroporto e revê-lo foi simplesmente emocionante. No caminho para o hotel, tudo que os meus olhos alcançavam me chamava atenção. A limpeza das ruas foi a primeira delas, antes mesmo da dificílima língua holandesa. De cara adorei o transporte publico, o metro e os ônibus são bem mais confortáveis que os nossos. A cidade é cortada por inúmeros canais, o que confere a Amsterdam um charme todo especial. O meu primeiro passeio foi então um tour de barco, logo depois que deixei minhas bagagens no charmoso Rembrandt Classic, um hotel 3 estrelas muito simpático, que fica no centro da cidade, de frente para um dos canais, onde as pessoas se reúnem a tarde para tomar um drink. O passeio foi num barco particular, mas qualquer pessoa pode fazer o mesmo desembolsando no mínimo 10 euros. Foi só ai que realmente caiu a ficha, a cidade é realmente linda, não é exagero. Como a semana anterior tinha chovido bastante, o sol estava se debruçando sobre ela, naquele dia, algumas pessoas até me disseram: “Você trouxe o sol do Brasil para nós”. Muito gentis.

No dia seguinte, já choveu um pouco. O tempo aqui é bem instável, no verão tem uma brisa gostosa no final da tarde, faz um friozinho a noite e pela manha o sol é parecido com o do nosso outono. Mas neste exato momento chove sem parar. Bom, me agasalhei e fiz um passeio delicioso de bicicleta, num final de tarde, com o meu irmão. Aqui as bicicletas tem prioridade, elas são o meio de transporte mais barato, fácil e rápido, mas antes de se aventurar é preciso fazer um reconhecimento mínimo dos itinerários, observar as placas de trânsito, até se entender com o cadeado é importante, alguns são bem diferentes. Ah!, e se esquecer a chave no cadeado, por exemplo, já era, eles roubam e vendem no mercado negro.

A arquitetura como se pode notar é bem bonita, charmosa, basicamente composta por prédios de poucos andares, bem estreitos, mas com espaços bem distribuídos. Aliás, praticidade é o que não falta por aqui. Em todos os sentidos. Se você estiver num bar, num coffeshop ou numa balada, por exemplo, e outra pessoa olhar pra você e quiser apenas uma noite de sexo, ela simplesmente vai se aproximar e dizer: Hey, guy/girl. I'm horny, do you want to fuck me? É assim mesmo, sem enrolação. Eu fiquei um pouco assustado, mas tenho um amigo que adora essa praticidade. Vale lembrar que latinos de modo geral são bem recebidos aqui, brasileiro então..., mas já percebi que existe uma certa resistência aos asiáticos. Tentei descobrir o motivo e ainda não me convenci da resposta, me disseram que eles são muito `grudentos` e tem atributos físicos pouco apreciáveis. Preconceito, claro.

Quando souberam que eu estava aqui, muitas pessoas se surpreenderam, talvez porque ainda existe aquele lugar-comum de que quem quer pirar de vez vai para Amsterdam. Não é bem assim. A cidade de fato é bem peculiar, tem lá seus junkies, a prostituição é respeitada, muitas drogas são legalizadas, mas isso é apenas uma parte do que compõe o jeito espirituoso do lugar. Aliás, com tendência a diminuir, por conta do partido conservador que esta no poder. Mesmo com tudo isso, até agora eu não presenciei sequer uma briga, nem ao menos uma simples confusão. Amsterdam me pareceu uma daquelas cidades cujo melhor cartão de visitas é o seu lifestyle, nem sei se a palavra correta é essa, falo de um certo desprendimento que as pessoas tem aqui, aquela atmosfera mais livre, sempre abertos a novidades, a aceitar o diferente. Bom, pra terminar essas impressões iniciais não poderia deixar de citar o Vondelpark que é lindo, com seu caminho das rosas e os seus salgueiros que parecem ter saído de uma pintura de Monet. Acho um passeio obrigatório, assim como o Van Gogh Museum, mas sobre ele eu posto numa outra oportunidade. E para quem estava cheio de curiosidade como eu, vale a pena ir tambem ao pitoresco Red Light District, mas nada de fotografar as prostitutas nas cabines. Então é isso, pessoal. Vou ficando por aqui cheio de saudades. Espero que vocês curtam as imagens, vou tentar registrar o máximo possível da viagem. Abração!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

GOODBYE, AMY

Queria evitar o lugar-comum do pedido de desculpas pela demora em postar no blog, mas não tem jeito, estou passando por um momento cheio de altos e baixos e vir simplesmente escrever não é muito a minha cara, sem contar que na última semana houve um casamento na minha família e só isso foi suficiente para me fazer desligar do mundo, por conta de pequenas tarefas que me vi obrigado a assumir. Mas, por favor, aceitem as minhas sinceras desculpas, de novo. Em breve, devo estar em viagem e prometo escrever de lá contando as novidades. Como não consegui postar nada no momento da morte da cantora Amy Winehouse, o faço agora, mas não como uma forma de tributo, apenas como uma homenagem simples, um registro da perda de um grande talento e também procurando refletir sobre algumas coisas que me chamaram atenção, a partir da sua morte.

Soube da notícia pelo meu amigo Tiago Cardoso, enquanto recebia visitas em minha casa. Claro que a minha primeira reação foi: “Não é novidade nenhuma, ela já estava ‘planejando’ fazer isso, há muito tempo”. Depois fui tomado por uma tristeza estranha e até uma sensação de impotência: “Por que não fizemos nada, antes?” – pensei. Me lembrei também de que a Amy era sempre um assunto recorrente em minhas conversas com o ator e diretor de teatro Alexandre Acquiste, no MSN. Ora brincávamos com a sua porralouquice e ora nos lamentávamos por ver seu talento sendo tragado pelo uso abusivo de drogas. Num dos intervalos das filmagens do meu novo curta-metragem, “De Corpo e Arte”, paramos também para falar sobre um daqueles episódios deprimentes no qual a cantora sempre se envolvia – se não me engano, a fatídica e última vaia num show na Sérvia. Chegamos à conclusão de que ela estava num processo de suicídio público e a atriz Maria Dias até brincou que tinha vontade de escrever para ela dizendo: “Amy, olha o talento que você tem, deixa eu ser sua amiga, hoje eu passei o dia inteiro ouvindo o seu CD, deixa eu te ajudar!”. Achei linda a demonstração de carinho da Maria.

Na ânsia de buscar uma resposta para a morte dela, a mídia foi unânime em abordar a sua relação íntima com as drogas e a infeliz coincidência com outras perdas memoráveis, aos 27 anos, nas mesmas circunstâncias. Achei bacana o alerta, mas, particularmente, não acredito que ninguém saia se entupindo de drogas – e no caso da Amy de drogas pesadas – por conta de modismos ou simplesmente para fazer um gênero, para ter a sensação de que se pode ir do céu ao inferno, num piscar de olhos. Ficaram devendo essa resposta, se é que ela realmente existe. E, por outro lado, falando agora como fã, ninguém ouvia as músicas dela por que ela era drogada, mas, sim, porque era uma grande cantora, com uma voz excepcional. A impressão que eu tenho é que essas pessoas, apesar do imenso talento, tem um grande vazio dentro de si e que momentaneamente é preenchido pela vaidade, quando a mídia e os fãs as consideram verdadeiros semideuses. Não podemos esquecer que nós é que as colocamos nessas gaiolas de ouro, porque fomos educados só para o aplauso e não para a queda. Quando Elvis Presley começou a engordar, nos anos 70, por exemplo, minha mãe me disse que as pessoas ficaram chocadas. Sempre questionando a forma física dele e muito raramente sobre seus problemas com álcool e drogas. Tudo bem que a mídia não tinha o alcance que tem hoje.

Não acredito muito nessa história de que a Amy quis morrer para se tornar um mito ou coisa parecida. Quando li, meses antes de sua morte, que ela estava preparando um novo disco e que não aceitava que ele fosse inferior ao seu maior sucesso, Back to Black, pra mim isso já foi um pedido de socorro. Hoje ouvimos tantas coisas ruins, em todos os lugares, que os bons artistas não toleram mais erros, equívocos e a cobrança sobre eles é cada vez maior. Ser artista não é nada fácil, fazer parte desse meio é fascinante e ao mesmo tempo muito cruel. Digo isso por estar apenas começando e sentir na pele inúmeras cobranças, mas isso não vem ao caso. Quem não assistiu ao brilhante “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder, deveria assistir, porque esse filme traduz muito bem o quanto os artistas se tornam prisioneiros de suas próprias glórias. É imperdível! Não quero me estender muito, mas só para terminar, ontem mesmo a psicanalista Eleonora Rosset falou uma coisa muito interessante, na TV, quando perguntada sobre o que a tem chamado atenção ultimamente: “As pessoas estão querendo ser felizes com muita urgência” – ela disse quase que automaticamente. Não deu outra, abri há pouco o meu e-mail e lá estava uma mensagem de um amigo aqui da cidade: “Perdemos a Amy, mas temos agora a Adele, ouça esta música...”. Eu, sinceramente, achei assustador esse desejo de substituição. Será que não está na hora de repensarmos essa voracidade por novas emoções? Não dá pra parar um pouquinho, sem que o mundo nos devore? Por que fama e dinheiro tem que ser mais importante que formas mais simples de realização? Bem, temos muito a refletir, então vou me despedindo com essa notinha de tristeza. Espero que a Amy descanse em paz e que a minha e as futuras gerações não tenham que ver apenas o desabrochar de um grande talento, que elas possam até terem tempo para compreender o seu declínio. Abração!

sábado, 11 de junho de 2011

HOMOFOBIA FORA DE MODA

Lambendo a cria


Estive ontem, em São Paulo, no Parque do Ibirapuera, numa passagem relâmpago e GÉLIDA pela 29ª Casa de Criadores, um evento de moda já tradicional na cidade, cuja missão é descobrir novos talentos pra moda brasileira. Assim que soube que eles estavam promovendo um concurso chamado Homofobia Fora de Moda, a minha amiga e leitora deste humilde blog, Angélica Oliveira, sugeriu que eu participasse. Estava cheio de trabalho por conta do curta-metragem novo, mas, mesmo assim, criei o conceito da minha estampa numa madrugada de sábado para domingo e enviei. O concurso buscava uma imagem ou estampa que fosse símbolo de uma campanha contra a homofobia. Segundo o site do evento, foram 122 inscritos e 30 selecionados para a final. Fiquei entre os 30, mas até o momento não sei quem ganhou, provavelmente não levei porque a minha imagem era uma das mais discretas, mas, mesmo assim, foi bacana ver que algumas pessoas paravam e apontavam a camiseta curtindo a minha ideia, que foi toda inspirada na teoria da evolução das espécies de Darwin. Eles pediram também um texto explicativo sobre a minha inspiração, o qual reproduzo abaixo. Seja lá quem tenha ficado com as primeiras colocações, fica aqui os meus sinceros parabéns. Principalmente as secretarias de cultura do Estado e da cidade São Paulo e ao André Hidalgo da CdC por essa iniciativa bacana.


“Trata-se de uma clara alusão àquela imagem da evolução natural das espécies, de Darwin. Quis mostrar que o gay já nasce gay e vai ser sempre assim e que isso é natural. Se o Homem evoluiu como espécie, precisa também evoluir a sua forma de pensar, de agir, acompanhar as mudanças do seu tempo. Simplificando: a imagem tanto pode ter uma mensagem de autoestima ao dizer aos gays que não se aceitam, “se deixem ser”, como também fazer um protesto, uma provocação saudável aos homofóbicos de plantão, “evoluam o seu pensamento”. Tudo isso de forma leve, com um certo humor e uma pegada pop. Vale lembrar que tanto gays quanto a famosa teoria de Darwin sofrem até hoje resistência de algumas religiões”.


Não é demais dizer que ninguém é obrigado também a concordar comigo. Cada um, cada um. Bem, terminado este pequeno merchan, não posso esquecer de desejar a todos um feliz dia dos namorados, amanhã. E, pra quem ainda está solteiro como eu, a dica é a mesma de sempre, aquela que está no encarte do CD “O Chamado”, da Marina: “acreditar e amar até o fim”. Vou ficando por aqui porque este final de semana vai ser cheio de trabalho. Abração!