sábado, 1 de dezembro de 2018

POR QUE BOHEMIAN RHAPSODY É TÃO BOM


Faz alguns dias que estou ensaiando voltar a postar, mas a correria por aqui foi tão grande e alguns momentos tensos de ansiedade me impediram também. Mas tive uma folguinha, hoje, e vim correndo contar um pouquinho o que achei sobre o filme “Bohemian Rhapsody”, mais conhecido como o filme da banda Queen, e sobre a importância do dia de hoje, “Dia Mundial de Combate à AIDS”.

Estava cheio de expectativa, mas com um certo pé atrás também, porque durante o ano assisti a vários filmes musicais ou documentários sobre astros da música e meio que as histórias se repetem, né? Sempre um grande talento batalhando por um lugar ao sol, chega lá, mas depois não suporta as pressões da indústria ou a solidão e se enche de drogas, etc e, quase sempre, morre de forma dramática. Dificilmente, um diretor consegue fugir dessa fórmula e o espectador termina de assistir ao filme, com aquele sentimento de pesar, se indagando: “Mais um? Que tristeza”. 

Bohemian Rhapsody não foge muito a essa regra, mas os diretores (Bryan Singer e Dexter Fletcher) foram tão ousados em não se prenderem tanto aos fatos reais que resultou numa obra muito mais interessante e emocionante. O primeiro destaque, pra mim, é o roteiro (repleto dessas frases de efeito que eu brinco dizendo que o roteirista já escreveu pensando no trailer). Todo centrado na trajetória da banda e não apenas nas tragédias particulares do líder Freddie Mercury. Embora tudo gravite em torno dele, para o bem ou para o mal, não existe a possibilidade de um integrante eclipsar o outro, é a história da banda. Ponto. Por outro lado, não tem como não se render ao talento do ator Rami Malek, que interpreta muito bem o cantor Freddie Mercury. Já apostam nele como candidato ao Oscar e não é exagero. 

Apesar dele ter dito que o trabalho foi baseado muito mais em improvisos e que não houve a intenção de reproduzir com tamanha fidelidade as apresentações da banda, basta ver as apresentações originais para notar a incrível semelhança. Ele conseguiu resgatar o mesmo carisma do cantor, os trejeitos, usar aquela prótese nos dentes que não deve ter sido nada fácil e tudo isso sem parecer caricato. Pra mim, é uma das melhores atuações, em anos! O mérito é tanto do ator quanto da direção, claro, mas sobretudo do bom roteiro. Apostar num Freddie Mercury solitário, fora dos palcos, fisgou o coração das pessoas.

Achei ótimo o filme não focar na homossexualidade e muito menos no calvário que era a descoberta do HIV, naquela época. Isso tudo, invariavelmente, roubaria a atenção para o que, de fato, importa: o talento dele e da banda como um todo. Porém, eu particularmente elegi a cena emocionante do resultado positivo do teste de HIV dele, como uma das minhas favoritas. Exatamente, por sintetizar em apenas alguns segundos, com bastante humanidade, aquela angústia que devorava, sobretudo, os gays. Ele descobre o diagnóstico sem fazer escândalos e ao sair do consultório, num desses corredores gelados de hospital, está sentado um paciente em estágio já avançado da doença. Este paciente o reconhece e balbucia um refrão de uma das músicas do Queen. Freddie Mercury, então, para e completa o refrão, como quem diz “Estamos no mesmo barco”. Simples, tocante, muito provavelmente não aconteceu de fato, mas que serve como exemplo de liberdades poéticas que eles souberam usar muito bem. 

A partir daí, o filme ganha muito em emoção e é impossível não se entregar à história. O reencontro com os outros componentes da banda, depois do rompimento, vem logo em seguida e fecha com o histórico show do Live Aid, em 1985. Resumo da ópera: é um filme excelente, nostálgico, emocionante, pra quem curte rock ou não. A crítica e o público aclamaram, com toda razão. E é, óbvio, que vale também como reflexão para o dia de hoje, que se comemora o dia mundial de combate à AIDS. Não podemos esquecer que ainda não vencemos à batalha e que é importante se cuidar. Mas sobretudo dar um basta ao preconceito e acolher aqueles que vivem com HIV. Artistas com HIV, felizmente, não agonizam mais em praça pública e isso já é um grande alívio! 

2 comentários:

Tiago Cardoso disse...

Acabei de assistir ao filme e realmente é tudo isso mesmo!

Luis Fabiano Teixeira disse...

👊🏻🎬❤️ You rock!