terça-feira, 2 de março de 2010

A NÁUSEA DE SI MESMO

No mesmo dia da morte do estilista Alexander McQueen (11.02), alguns amigos e eu conversávamos sobre o elevado índice de suicídio, em alguns países da Europa. A explicação, segundo eles, é que são lugares muito frios, as pessoas não se relacionam como a gente, de forma tão amistosa, e aos 18 anos os filhos são obrigados a deixarem suas casas e tocarem suas próprias vidas. Eles me contaram ainda que existem até campanhas, na TV, de tão comum que é, toda semana, a notícia de um ou mais suicídios. O assunto entrou na roda porque tenho notado um aumento vertiginoso de depressão entre os jovens (e isso independe de estarem acima ou abaixo da linha do Equador). E, como nós já sabemos, depressão e suicídio sempre andaram perigosamente juntos.


Muitas vezes, a pressão pela conquista de um ideal de felicidade termina por provocar um grau elevado de angústia e frustrações que as conseqüências podem ser irreversíveis. Eu mesmo já fui vítima dessa pressão (e, infelizmente, não estou livre dela), mas também nunca cheguei a cogitar a possibilidade de jogar a toalha, de desistir de tudo. Nem sempre é fácil, claro, mas continuo achando que viver vale muito a pena. No caso de McQueen, as especulações não param: a morte recente da mãe, o uso excessivo de drogas, o também suicídio da amiga Isabella Blow (quem o revelou) e até a exaustiva tarefa de ter que desenvolver várias coleções por ano.


Curioso que sou, fui em busca de uma entrevista que ele concedeu a ELLE francesa, reproduzida no Brasil em agosto de 1998, para tentar encontrar alguma pista que já denunciasse, naquela época, no auge da sua carreira, algum componente trágico na sua personalidade. Não encontrei nada muito revelador, mas, mesmo assim, selecionei algumas frases bem interessantes: “Gostaria de ter mais tempo pra mim. Trabalho 20 horas em 24. / Temo chegar a ficar satisfeito comigo mesmo. / Só serei feliz no dia em que me aposentar. / Gostaria de me tornar um grande repórter”. Como uma coisa puxa outra, logo me lembrei de Rafael, um personagem de uma comédia espanhola chamada "Crimen Perfecto" (2004), cuja maior ambição é desfrutar de uma vida que esteja de acordo com o seu bel-prazer. “Prefiro morrer a me conformar com uma existência medíocre” – diz ele. Passo a bola pra vocês. Há algum heroísmo ou autenticidade nisso ou, assim como eu, vocês veem com desconfiança essa justificativa?


Por outro lado, uma boa notícia é que o ator Daniel Radcliffe, mais conhecido por viver o bruxinho Harry Potter nos cinemas, acaba de emprestar a sua imagem para uma campanha contra o suicídio de adolescentes homossexuais, nos Estados Unidos. Li num site que, lá, são registrados por ano cerca de 32 mil suicídios, entre gays de 14 e 15 anos. Assustador, não? Independente da orientação sexual, raça, religião, enfim, acho que não podemos fechar os olhos para essa realidade. Ninguém tira a própria vida simplesmente por achar que não faz parte de uma zona de conforto. Os nossos dramas cotidianos, principalmente os silenciosos, tendem a nos empurrar para um gradativo isolamento, por isso é fundamental que parentes ou amigos, ao menor sinal de depressão, encaminhem a pessoa a um médico.


E, no último final de semana, perdemos também o querido bibliófilo José Mindlin, aos 95 anos. No ano passado, durante um imprevisível temporal em São Paulo, me refugiei na porta da casa dele. Era um domingo à tarde e me enchi de orgulho só em poder estar ali. Enquanto o céu desabava, ficava imaginando as preciosidades literárias que deveriam estar lá dentro. A sua paixão incurável pelos livros ele tão bem resumiu numa frase que eu acho ótima: “Trocaria de bom grado dois terços da minha biblioteca por metade da minha idade, mas naturalmente para começar tudo de novo”. Vai deixar saudades. E o terremoto no Chile, hein? É melhor ir parando por aqui. A semana começou melancólica. Abração!

17 comentários:

Clenio disse...

Oi, Luis

Boa semana pra vc e bom tópico para discussões. Essa angústia que precede o desejo de morte me é comum, não me é fácil dizer. Mas sempre que passo por uma dessas crises brabas sempre penso que tirei alguma coisa boa dela, nem que seja inspiração pra escrever...
Bjo grande.

Paulo Braccini disse...

Ops Luis ... super importante e bem contextualizada esta sua análise sobre este tema da angústia ... quem de nós não esteve um dia sob o jugo avassalador deste sentimento ... penso como vc ... "Muitas vezes, a pressão pela conquista de um ideal de felicidade termina por provocar um grau elevado de angústia e frustrações que as conseqüências podem ser irreversíveis. Eu mesmo já fui vítima dessa pressão (e, infelizmente, não estou livre dela), mas também nunca cheguei a cogitar a possibilidade de jogar a toalha, de desistir de tudo. Nem sempre é fácil, claro, mas continuo achando que viver vale muito a pena." ... perfeito isto ... acreditar na vida e em nós mesmos é um bom caminho para superarmos as tensões desta cobrança cruel dos tempos de hoje alimentadas por nossos desejos de conquistas e superações a qualquer preço ...

parabéns ...

bjux

;-)

Eduardo Araújo disse...

Puxa, mas quem nunca pensou em suicídio? Eu adoro assistir aqueles Cafés Filosóficos da Cultura, que tanto iluminam essa coisa da ausência de sentido numa sociedade fundamentada no edonismo, no consumo, no terror de envelhecer, no desejo de sucesso que sobrepõe quaisquer outros valores humanos. E pensando no adolescente que fui, acho que sou um sobrevivente, embora as frustrações cotidianas e avassaladoras estejam, de fato, me atacando agora. Só que agora eu tenho as palavras, e posso escrevê-las e menos guardá-las para mim.

Edilson disse...

Querido Luis:

Coincidência ou não, hoje mesmo estávamos um grupo de colegas do serviço falando nesta estória do estilista e realmente o que passa pela nossa cabeça é que ele precisava de ajuda e não teve ninguém que o pudesse ajudar(nem ele mesmo). A depressão mata muitos jovens e adultos porque se manifesta de forma lenta e silenciosa e quando se instala é preciso muita terapia e remédios. O mundo capitalista exige cada vez mais que o ser humano se mecanize e deixe de lado os sentimentos. Será que ele não foi vítima de si mesmo e do sistema? Bjão e linda semana. Maravilhoso este post.

www.lua2gatos.blogspot.com

Obs: Na poesia "Distraçôes" trata disso, da falta de tempo que sentimos tanto.

Anônimo disse...

Luis,

Queria postar um comentário isento e conclusivo, mas não consigo. Fico com o limite das convicções pessoais.

No contexto da minha religiosidade, o suicídio é o maior dos crimes. O suicida é sepultado em uma área separada do cemitério e lhe são negadas todas as orações e conforto dados aos mortos.

A principal razão disso é didática: mostrar aos vivos que esse ato não se reveste de qualquer mérito ou glória, e jamais seria uma vitória sobre os problemas da vida. É uma tentativa de desencorajar os potenciais suicidas.

O ano de 2009 fechou com uma estatística desconsertante para a minha cidade (Botucatu, SP): 22 suicídios. Numa população de 100 mil, quase 2 suicídios ao mês.

(Nem me atrevo a tentar explicar isso)

Excelente o alerta.

Abs,
GB
(Gilson Bicudo)

Paulo Tamburro disse...

Tudo bem Luis?

Gostei realmente do que vi, por aqui.

Seu blog é excelente e eu não o conhecia.

Voltarei mais vezes para detalhadamente poder com calma , ver o que faltou.

Tenho blogs de humor e caso deseje fazer uma visita ficarei muito honrado.

Um abração carioca.

Uber Expresso disse...

Nossa Luis, hoje mesmo comentava sobre a quantidade de pessoas que estão se matando... muito bem colocado seu texto... te ler é sempre um prazer!!! Beijos Roberta

Gilson disse...

Grande Luis

Tenho lido muito sobre isso tudo e presenciado muitos casos de jovens em depressão. Toda essa pressão que a sociedade está impondo aos jovens está trazendo essa trizteza por ter que ser o que ele ainda nem está pronto para ser, fora da pressão gerada pela criminalidade, dificuldade do primeiro emprego e etc.
Agora sobre o outro ponto, garanto a você, já que nesse momento estou vivendo essa maratona de trabalhar demais, que paro muitas vezes pensando em mudar o meu futuro.

Bom estar aqui novamente.

Um abração

Clenio disse...

Oi, Luis, vim aqui pra dizer que meu blog elegeu o teu como VIP... Não sei direito como funciona, mas tinha que indicar alguns blogs interessantes... vc tem que passar lá no blog pra pegar o selo, e participar do concurso... pelo menos foi isso que me instruiu a amiga que indicou o meu hehe.

Grande beijo.

André disse...

Olá Luís

A questão do suicidio ainda é tratada de forma muito abstrata, preferem fazer de conta que não é uma realidade, isso provavelmente em função da religião, que abomina o suicidio.

Quem nunca pensou em dar fim a vida? Afinal de contas a vida é sua.Não?

Todos temos altos e baixos e quando chegados no fundo do poço as perspectivas ficam muito escassas. Vivemos dia após dia suportando pressões e tendo de obedecer padrões criados muitas vezes por hipócritas. Somos diariamente julgados, seja pelo que somos ou pelo que temos, julgamento esse muitas vezes dentro da nossa própria casa, imagine então pela sociedade. Viver nessa angustia e pressão faz qualquer um perder o rumo e o sentido da vida. Surge então a escolha entre preocupar-se com o que dizem ou ligar o "foda-se" e tentar buscar uma alternativa de ser feliz.

Um filme que indico é Prayers For Bobby. "Baseado na história verídica de um jovem homossexual que se suicida aos 20 anos.
Sua mãe, (interpretada por Sigourney Weaver), ao tomar conhecimento da sexualidade do filho, acredita que pode "curá-lo" à base de religião e terapia, o que leva Bobby a se jogar de um viaduto quatro anos depois (1982)."

Atenciosamente

André

Clenio disse...

Oi, Luis

Passei só pra dizer que o selo BLOG VIP é merecido. Adoro visitar teu blog porque quando leio teus textos eu percebo um cuidado com os sentimentos e as emoções que são raras no mundo de hoje. Merece o título de VIP sim hehehe, pode ficar insuportável se quiser, desde que nunca deixe de me visitar hehe
E não te preocupa: ariano não é nada, pior se vc fosse leonino...
Bjos

Larita disse...

Ai Little Sheep, nem gosto mto de falar de depressão, pq só quem teve a visita dela sabe o quanto isso é horrível!
E, como eu já passei (e como passei), nem gosto mto de lembrar!
Só sou grata a Deus por eu nunca ter feito coisas que pensei na época, ainda bem que meu anjinho da guarda era insistente e me fazia deixar pra lá as coisas ruins! =]


É triste ver notícias desse tipo, realmente, triste! Que esse quadro um dia mude, que as pessoas não tenham vergonha de procurar um médico por achar isso "besteira" (ainda bm q na época me convenceram do contrário hehe)...enfim, que tempos melhores cheguem para essas pessoas como pra mim chegou!

- nem sei se foi um bom comentário, mas foi o q saiu, dei umas viajadas pra dentro de mim!

Amo vc!
beijos!

Athila Goyaz disse...

É amigo eu acho que jogar a toalha é uma grande covardia. E ultimamente a morte tem feito o seu trabalho como nunca antes né?

abraços ae!

SlumdogAngel disse...

Pois é. Vivi no famoso velho continente e entendo perfeitamente as causas de suicidio entre os jovens. Discordo de voce ao dizer que aos 18 anos os filhos sao forçados a sair de casa, pois é algo absolutamente normal por lá, eles vao para faculdade e saem de casa, e depois de formados arrumam empregos e nao voltam mais para casa. Alguns voltam, mas a maioria nao. Acho saudável essa independencia familiar. Enfim...acho que o suicidio tem duas fronteiras: aquela que você acha que já conseguiu tudo e acha que nao conseguirá mais nada e simplesmente cansa da vida que voce leva, apesar de nos olhos de todos ter tudo (Vide Leila Lopes e o próprio McQueen) e a fronteira que você acha que nao serve e nem se adequa em nada. Sao dois extremos totalmente diferentes mas mas que leva ao mesmo final.

RICARDO AGUIEIRAS disse...

Oi, Luis!
bom, outro comentário longo meu, por que essa questão mexe muito comigo. Albert Camus falava que "O suicídio é a única questão filosófica importante". Eu luto por um mundo de escolhas. Escolhas essas que ficaram perdidas lá trás, faz tempo, na sociedade de controle, onde o olhar do próximo é mais cerceador que muros de prisões. Engana-se quem diz que temos escolhas. Não as temos, exceto as medíocres tipo, se como arroz com feijão hoje ou se como macarrão, até a roupa que vestimos passa pelo filtro da moda, que cerceia o que seria uma natural escolha. Então, penso que o suicídio deveria também ser uma escolha, um ato de liberdade humana. Mas não é, na maioria das vezes é determinado pelo desespero. Escolha seria como fez o outro filósofo, André Gorz, que ainda escreveu o belo e arrebatador texto "Carta a D.", calmamente, quando percebeu que iria perder a sua amada esposa de décadas, que sofria de uma doença incurável e resolveram morrer juntos juntos em 22 se setembro de 2007. Já tinham mais de 80 anos, os dois e, para ele, não seria possível viver um segundo sem a presença dela.
As pessoas se chocam com o suicídio: ora por questões religiosas, aquele papo "Deus te deu a vida, só ele , pode tirá-la"( partem do pressuposto que todos tem a obrigação de acreditar em deus e, pior, no deus deles...) ou vêm com questões psiquiátricas pra cima, numa sociedade medicalizada onde têm a ilusão de existir remédios para tudo, até para os conflitos da alma. Poucas vezes vi comentários onde não existisse a condenação do suicída.
O Suicídio incomoda. Incomoda por alguns motivos. Incomoda também por que "já que ele se matou, chegou à conclusão que deveria morrer, será que o mesmo não pode acontecer comigo, ou também chegar a essa mesma conclusão?" Então,condenamos por que negamos o suicida em nós.
Condenamos o suicida pela inveja, reconhecendo o imenso ato de liberdade: "Como ele pode fazer isso?, é uma afronta!" Ou seja, condeno a coragem do outro. Eu queria viver num mundo sem tantas condenações e mais compreensões. O engraçado é que, ao condenar, as pessoas não percebem a imensa pressão em que vivemos, hoje, um paradoxo, uma contradição. Pressão que nega o conforto, nega a felicidade. (cont)

RICARDO AGUIEIRAS disse...

(continuando)As pessoas trabalham demais, relaxam de menos, são criadas desde que nascem para crescer, casar,ter filhos e morrer. Poucos conseguem fugir desse axioma, desse "destino" e serem independentes na construção de suas vidas, poucos. Cada vez temos menos e menos empatia com o próximo e negamos as mazelas humanas, adotamos soluções higienistas: preferimos que as ruas sejam "limpas" de mendigos, joguem eles para longe dos meus olhos, quero imaginar que eles não existem, ao invés de ver seres humanos ali.
Vivemos em uma sociedade que não discute a morte, nega-a.Cada dia ela, a morte, está mais longe, em uti's assépticas , solidão horrenda, morremos inevitavelmente sós, sem uma mão para segurar a nossa, longe do lar, dos amados. Se é que esses "amados" um dia existiram. Depois, um velório rapidinho lá na capela do cemitério e enterrem logo, por favor... não há mais o ritual do luto para a reflexão da morte e do morrer, preferimos não refletir sobre.
Negamos o envelhecimento, na armadilha da "juventude eterna". Exigimos corpos "perfeitos", malhados, não admitimos que alguém possa ser feliz comendo muito e não deixamos que esse fulano coma em paz, fume em paz, trepe em paz, jogamos o discurso médico em cima.
Depois, estranham quando o cara se mata? me poupe!
Veja você o uso midiático das pessoas, uso esse perpetrado até pela militância homossexual, cheiro grave de oportunismo: Lembra,Luis querido,do caso dos jovens que foram discriminados no Shopping Frei Caneca, estapeados e expulsos pelos seguranças? Pois é, a tal militância caiu em cima, fez festa lá e botou os gays e lésbicas se beijando e fazendo o papel de palhaços perante uma mídia ávida por escândalos, forneceram tudo o que esse jornalismo marrom queria e as bibinhas mais ingênuas pensaram que aquela festa era um protesto...
Pois bem, alguns anos depois, acho que em 2008 , um deles, do casal expulso,se matou, pulando do 11º andar.(cont)

RICARDO AGUIEIRAS disse...

(continuando) Alguém, dessa mesma militância LGBT, foi atrás para descobrir e entender os motivos do menino querer voar? não, não interessava, nesse caso, não dava mídia. Depois que se aproveitaram do caso,abandonaram os dois. Alguém da militância procurou-os depois da festa no shopping para oferecer conforto? Pra que?
Um dia briguei feio com famoso militante gay partidarista que me disse que o "movimento gay não é auto-ajuda!"; quando falei que não havia mais acolhimento e amor dentro do movimento, não acham que o acolhimento e o conforto é "político"... então, condenam quando um gay se mata. Pelo menos no caso do Brasil, os gays não se matam apenas pelo grave preconceito, mas também pelo não acolhimento dentro das próprias organizações que deveriam acolher, amar,apoiar... Exemplo emblemático: Um ano depois daquele professor universitário (acho que é Alex o nome dele, não me lembro direito) que teve a metade do rosto destruído de tanto apanhar, escapando por pouco de morrer surrado pelos neonazistas ao sair da balada gay , ninguém mais falava dele. Quando ocorreu o caso, a militância foi atrás, linda! Fez ato na Vieira de Carvalho, chamou toda a imprensa e etc. Depois,esqueceu e abandonou o professor à própria sorte. Sabe o que aconteceu? ele foi mandado embora da universidade em que trabalhava,por que a mesma não gostou nada de ver um professor do seu quadro assumindo a homossexualidade na tv, na mídia, a universidade não queria que um gay assumido fosse um dos seus contratados. Escondido,pode. A última notícia que tive dele é que estava, inclusive, passando necessidades. Você condenaria se um exemplo assim se matar?
Enfim, é isso... teu blog é um dos melhores e é um sucesso, talvez devido justamente às reflexões que provoca. Tenho muita admiração por você. Tua responsabilidade é grande...risos...Falando sério, sei que você não quer nem merece tal "responsabilidade", mas você é um daqueles que seria um alento,se o fulano for se matar e se lembrar que tem gente como você, ainda que seja, no mundo, perceberá que valerá a pena viver mais um tempo.
Obrigado (acho que terei que dividir esse comentário em três... risos)
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br
http://dividindoatubaina.wordpress.com/