
A primeira vez que ouvi falar nessa turma de escritores foi na antiga revista "VINTE", em abril de 1999. O editorial “Romance beatnik”, todo em P&B, muito bem editado pelo Paulo Martinez, era lindo. Depois, a Adriana Calcanhotto os citaria também em “Remix Século XX” e, daí por diante, fui me interessando cada vez mais por eles. Não li ainda “On the Road”, de Jack Kerouac, apenas alguns trechos e poemas de Allen Ginsberg, mas não tenho pressa, tudo ao seu tempo.
Sabendo que Walter Salles, um dos meus cineastas preferidos, está em vias de filmar “On the Road”, fui à palestra de Claudio Willer, que aconteceu antes da noite de autógrafos do seu livro, no Sesc-Santos, na semana passada. A palestra não foi nada empolgante, pelo contrário, achei lenta demais, beirando ao insuportável. Das duas uma, ou o autor não tem um pingo de carisma (o que é mais provável) ou estava num dia de cão. Sobre o filme do Waltinho ele foi bastante categórico, não vai sair. Segundo ele, mesmo se fizesse uma trilogia como a do “Poderoso Chefão”, não seria suficiente para tantas histórias. Figa, pé de pato, mangalô três vezes! A sua sugestão seria uma série como a extraordinária "ROMA", da HBO, com temporadas a perder de vista, o que não seria nada mal, mas não teria o mesmo impacto. Pelo menos, pra mim.
A pretexto de divulgar o seu livro aqui no blog, pedi a Claudio Willer que me respondesse três perguntinhas inocentes. Juro, não tinha maldade nenhuma nelas. Bem, mas, como vocês poderão ler, quem pergunta o que quer...
Nem todos, né? O Kerouac morreu na miséria e de alcoolismo, Cassady se autodestruiu...
Quem seria uma figura beat, nos dias de hoje? A Amy Whinehouse, por exemplo?
Não. Beat é movimento literário, movimento de poesia. Não vamos confundir com cultura pop, embora a cultura pop deva muito à beat.
(só para vocês não acharem que eu viajei completamente na pergunta, veja o que diz um dos trechos do livro dele: “A beat foi sonora. Tem discografia, e não só bibliografia” p.13).
Sobre a crítica em relação a eles, não esquecem o lado da literatura e focam sempre nas suas vidas, na sexualidade, no radicalismo político, naquelas histórias todas?
Está cheio de crítico preconceituoso e preguiçoso por aí. A questão é ler direito. No que eu li e mostrei (na palestra) uma série de coisas ficaram claras.
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