quarta-feira, 4 de novembro de 2009

SATYRIANAS E TUTTI QUANTI


E não é que o sol apareceu mesmo? Os dias tem sido luminosos por aqui, já com cara de verão. Bem, no final de semana, estive em São Paulo e cheguei cheio de novidades, por isso, se o post ganhar um tom mais descritivo, vocês me perdoem. Sábado, que é um dia que eu adoro, fui acompanhar a 10ª edição das Satyrianas, na Praça Roosevelt. Cheguei cedo, mas perdi a mesa redonda com os escritores Santiago Nazarian e Marcelo Rubens Paiva. O horário também era bastante ingrato, vamos combinar, meio-dia. De qualquer forma, fiquei por ali perambulando. Mais de 30º na sombra. Sobrou tempo até para lamentar a degradação da Escola Caetano de Campos e observar de perto os skatistas e até um rapaz solitário praticando le parkuor.

Aos poucos, figuras inusitadas foram aparecendo e o barato desses eventos é justamente esse, a diversidade humana. Da imprensa só vi mesmo uma equipe do Programa Novo, da TV Cultura. E teatro que é bom nada, até cheguei a entrar numa das tendas de lona, mas a sensação térmica lá dentro era absurda e desisti. Nesse intervalo, surgiu um rapaz e me ofereceu o seu “livro”, o qual poderia pagá-lo com “qualquer moeda”. Achei aquilo tão insólito que não resisti e comprei o exemplar na hora. Vocês não fazem ideia do que se trata. Numa folha reciclada, cortada ao meio e dividida em quatro, Nando Mello escreveu quatro poemas bemmm “psicodélicos”, se é que vocês me entendem rs. "Raios de Sol", por exemplo, é assim, ipsis litteris: “Nuvens / Somos / Poetaço / Vamos!”. Detalhe, vieram até rabiscadas as contas do "poeta", na folha. O livro, que não possui título, já enriquece a minha coleção de raridades literárias, claro.

No finzinho da tarde, encontrei o meu amigo Paulo von Poser, que estava no Espaço Visumix, se preparando para a performance “Pedra Sobre Pedra”, com o músico Danilo Tomic. Essa performance, cujo vídeo está no meu canal no Youtube /luisfabianoteixeira, era uma homenagem aos 20 anos da queda do muro de Berlim e tinha tudo a ver com o local onde foi realizada, pois a demolição da Praça Roosevelt está prevista pelo Governo do Estado, se não me engano, para março do ano que vem. Num determinado momento, o artista parou e se aproximou da parede num gesto de imersão na obra, quase ritualístico. No começo, pensei que ele estivesse passando mal, mas depois ele nos confidenciaria que fez aquilo para “sentir” a parede. Foi mágico. Emocionante. Ainda no mesmo local, assisti a uma apresentação da Épicac Tropical Banda que tem um som bem interessante, moderno, cool. Quem quiser conhecer o trabalho deles é só visitar o Myspace dos caras. Vale a pena.

E ainda teve rosa atirada a noivos que acabavam de se casar, na primeira igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, e jantar num restaurante bem charmoso, o Ritz, na Alameda Franca, point de artistas e pessoas descoladas da cidade. Aliás, deixei lá a minha assinatura na parede e a frase de Proust: “O amor apenas passou por mim como um sonho”. Espero voltar lá um dia para conferir se ela ainda está lá. Na saída, conheci uma artista incrível que eu até já recomendei aqui uma de suas exposições, no ano passado, quando ela comemorou 50 anos de carreira, Maria Bonomi. Foram apenas alguns minutos, mas o suficiente para captar a beleza dos seus gestos, o falar calmo, "a sua sina traçada pelas estrelas", enfim, um encontro inesquecível, afinal eu estava diante também de uma amiga da escritora Clarice Lispector. Há uma passagem entre a amizade das duas que vale a pena ser contada. Clarice, que é também madrinha do filho da Maria, certa vez numa exposição da amiga, teria que escolher uma obra de presente. Em vez de optar pela obra final, a escritora quis ficar com a matriz da gravura “A águia”, de 1967, que pendurou na sala de sua casa e numa crônica escreveu: “Maria escreve meus livros e eu canhestramente talho a madeira”.


Momento Clipping, quadro meu na Junior #13
Já o domingo teve momento árcade com passeio no Ibirapuera e parada na Fenac da Paulista, onde abri a Junior #13 e dei de cara com a foto do quadro que fiz pro André Fischer. Sorte pra toda a equipe da revista. Agora é voltar ao batente. Tenho que começar ainda um quadro em homenagem ao Plínio Marcos, por conta dos 10 anos de sua morte. A imagem é bem forte, como a obra do Plínio, quando estiver pronto, posto aqui. Por enquanto, a vida segue solar. Abração!

6 comentários:

FOXX disse...

ah, vc pinta?
tenho queda por artistas
falo mesmo!
hehe

Paulo Henrique de Moura disse...

Luis como sempre seus posts são encatadores e contagiantes. Contagiantes porque me fazem ter vontade de ter visitado as exposições, visto os shows, lido os livros e ouvido as canções que você descreve. Parabéns pelo espaço na Junior, com certeza o André adorou o quadro! Quando for a Sampa quero fazer este tour cultural contigo com certeza. Abração.

Arthur Alter L. disse...

Muito bom Luis,
Parabéns pelo quadro na revista e muito sucesso ae na vida profissional.
Abraço

Gilson disse...

Fabiano

Adoro seus posts de incursões por São Paulo, são muito bons, você descreve os fatos de uma maneira gostosa de ler e super inteligente.
Fiquei super feliz por você, por seu quadro ter saido na revista. Parabéns.
Quando puder faz um post com suas obras.

Abs

Larita disse...

Little Sheep,
quantas coisas bacanas vc fez em SP, hein!? Aproveitou bem ^^

E que linda a frase que você deixou na parede ^^ Espero mesmo que fique por lá, perfeita!
*mas, q o amor passe como um sonho e permaneça como realidade ;D

Ah, fiquei curiosa pra ver os poemas psicodélicos =D


E, parabéeeens por ter saído na revista um quadro teu =D que saiam mtos outros =D VC MERECE!!
E aguardo fotos do novo ;D



Te amoooO!

Tarcísio disse...

Viu...
Depois de muito trabalho, só o tempo traz reconhecimento. Apenas ele.

PARABÉNS

e que ocntinue trabalhando mto!
abração