terça-feira, 6 de outubro de 2009

LUX IN TENEBRIS


E cá estou pra fazer o meu balanço do 7 Curta Santos, um dos festivais de curtas-metragens mais bacanas do gênero. O tema deste ano foi “lux in tenebris”, luz nas trevas. Segundo o diretor Toninho Dantas, a ideia era exaltar a boa safra de filmes nacionais, sem esquecer a sua distribuição que ainda é muito capenga. A abertura foi no SESC-Santos, só para convidados. Não havia aquele clima de red carpet, mas um oba-oba local, com o que há de melhor e pior nisso.

O evento começou com um número de dança que misturava música de rua e performance. De uma simplicidade e beleza tocantes. Depois dos discursos de praxe, subiram ao palco os homenageados da noite, a atriz Maitê Proença e o diretor Carlos Manga. Digamos que Maitê não estivesse tão confortável assim. Ela mal pegou o microfone e já foi reclamando da demora pra chegar a Santos, etc. Ainda tentou se corrigir, mas já era tarde. Causou uma tremenda saia justa. Já o diretor Carlos Manga emocionou a todos e foi aplaudido de pé. Merecidamente. Manga dirigiu várias chanchadas, aqueles filmes populares que, nos anos 40 e 50, eram considerados toscos pela crítica, mas que hoje se transformaram em cult. Visivelmente emocionado, desabafou: “Ainda bem que eu vivi mais de setenta anos, para poder ver tudo isso”. E ainda bem que eu estava lá para conferir tudo.

Participei de duas oficinas bem interessantes, roteiro e direção e realização de documentários. A primeira com o cineasta mexicano Aarón Fernández que dirigiu “Partes Usadas”, de 2007. Não foi das melhores, mas deu pra aprender coisas bem legais. Sobre criação de roteiro, ele foi bastante categórico: “Um bom roteiro é aquele que vira um filme. Não adianta escrever cenas irrealizáveis, que só funcionem no papel”. A segunda foi mais completa, com a cineasta Andrea Pasquini. Talvez ela seja mais conhecida pelo documentário “Fiel”, que retrata a queda e o retorno do Corinthians ao Brasileirão e que tem como produtores o apresentador Serginho Groisman e o escritor Marcelo Rubens Paiva, mas o documentário dela que eu mais curto e recomendo é “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”. Imperdível. Andrea não economizou dicas, mas vou citar apenas uma, a que considero mais importante, para não me alongar muito: “Para fazer um documentário, o assunto tem que ser apaixonante. Você tem que se envolver de verdade”.



O festival ainda me deu a oportunidade de conhecer ou apenas ver de perto pessoas que sempre admirei. Foi o caso do cineasta Guilherme de Almeida Prado, cuja biografia já foi indicada aqui. Também bati um papinho com o André Fischer (foto), jornalista e editor da revista Junior. Ele achou lindo um quadro que fiz pra ele e até elogiou o meu trabalho, no seu Twitter. Quando vi o ator Sérgio Mamberte, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi “Tio Vitor” rs, adorava o Castelo Rá-Tim-Bum. Mas foi o ator Matheus Nachtergaele quem realmente me surpreendeu pela simplicidade e carisma. Ele estava lá promovendo o seu filme “A Festa da Menina Morta”. Aliás, filme que, na minha opinião, tem um certo mérito, mas também vários equívocos. Muitas pessoas deixaram a sala de exibição. Matheus é um dos nossos melhores atores, inegavelmente, mas como diretor ainda tem um longo caminho a percorrer. Pessoalmente não é nada freak, apenas muito tímido. Da mostra "Olhar Caiçara", o único filme que, realmente, me agradou e que de fato estava torcendo foi “Malu e Fred”, de Rodrigo Bernardo. Aliás, faturou vários prêmios, a torcida era bem grande. De modo geral, faltaram roteiros mais elaborados, porque tecnicamente os filmes estavam bem aceitáveis. “Vende-se”, do Dino Menezes, veterano no festival, merecia até um prêmio de consolação, mas ele cometeu um erro até amador, filmar um espetáculo teatral. Qualquer pessoa sabe que teatro e vídeo nunca se bicaram, o resultado quase sempre é destoante e cansativo. Claro que não é nada fácil fazer cinema no Brasil. Um dia, quem sabe eu até posso estar lá, mas, se a pessoa tem mesmo muita vontade de contar aquela história, deve pensar mil vezes no roteiro e principalmente no elenco, ambos precisam estar em total sintonia, afinadíssimos, caso contrário o espectador vai sair sempre do cinema com a sensação de que seria melhor ter ficado em casa acessando o Youtube.

Por hoje é só, mas em breve estarei de volta. Fica aqui, então, os meus largos cumprimentos ao querido Toninho Dantas e toda a equipe do Curta Santos por esse evento que nos enche de tanto orgulho. Um abraço especial também aos meninos do Ká Entre Nós, Jay e Alê, que indicaram o meu blog entre um dos que eles acham bacana. Obrigadão mesmo. E a vida segue cheia de expectativas. Abraços e beijos!

3 comentários:

Jay e Alê disse...

Amigo,
Legal tudo isso estar no meio de tanta gente importante, famosa, cult, caraca deve ser muito bom sem contar que isso vale tanto quanto fazer uma faculdade. Enfim, pena que Maitê não foi assim tão elegante... Gostei da definição pro Matheus, nada "freak" ele é realmente um grande ator.
finalmente, cara, a gente nem merece isso: "os meninos do Ká Entre nós"... Wow, valeu mesmo de coração. Sucesso sempre pra vc.
Grande abraço nosso.

CooKie disse...

noooossa que chique!
cuti muito!

Larita disse...

vc vio o tio Vitoooooor?! aii q tudooo! nossa, quem não amava castelo ratimbum!? ai q máximooo! *uma vez fui num méd q era a cara dele..nossa, como tem coisas que sempre serão eternas mesmo! é o caso dele, né!? ^^

Beijoos