segunda-feira, 9 de março de 2009

AVESSO DO AVESSO



No final do ano passado, tive o prazer de colaborar com o anuário de moda do meu amigo Cristiano Félix, do blog Extra-Ordinário. O resultado vocês conferem agora. Parabéns ao Crico e sua equipe que fazem esse trabalho com muita dedicação, leveza e se divertem muito.

A experiência de estar no backstage de um evento de moda alternativo como a Casa de Criadores é única. Organizado por André Hidalgo, há mais de dez anos, a Casa nasceu na noite paulistana com a intenção de revelar novos estilistas, num momento em que o hype era a música eletrônica, o movimento clubber e as drag queens. Esse espírito underground ainda se mantém até hoje, mas a estrutura em si melhorou bastante, desde que o evento fixou residência no Shopping Frei Caneca, no centro de São Paulo.
Logo no elevador dou de cara com um Léo Áquila, absurdamente desmontado. Calma, a noite estava apenas começando. O esquenta para os desfiles começa num imenso lounge, ao som de música eletrônica e onde se reúne o maior número de pessoas "diferentes" por metro quadrado. Mesmo quem nunca esteve num lugar desses consegue captar aquele clima de descontração. A resposta pra isso é bastante simples, elas estão ali mais para prestigiar os amigos do que qualquer outra coisa. Claro, também para dar muita "pinta", expressão muito usada no meio para dizer que alguém quer apenas ver e ser visto.
Diferente de eventos maiores como SPFW, onde há um backstage para cada marca, na Casa existe apenas um espaço de trabalho para todos e ninguém reclama dessa camaradagem fashion. Modelos, hairstylists, produdores, bookers, fotógrafos e DJs geralmente não cobram cachê, todo esforço é pela causa: promover o trabalho desses novos talentos da nossa moda. Não é demais citar alguns nomes que despontaram lá e que depois alçaram vôos maiores e com sucesso, é o caso de Icarius, Marcelo Sommer, André Lima (que naquele dia estava sendo homenageado), Gisele Nasser, Cavalera, entre outros.
Vendo tudo aquilo, aquele clima de euforia (porque as pessoas estavam completamente felizes ou fingindo ser), de expectativa para os desfiles, não pude deixar de fazer o registro. No entanto, as imagens que fiz não traduzem exatamente o que a maioria dos fashionistas espera de imagens de moda, por isso cabe aqui uma explicação. O meu olhar para a moda é bem diferente. É de desconstrução. De fascínio pelo trash. Não quero me rebelar contra os estereótipos, mas mostrar que existem outras formas de se construir imagens de moda. Se tiverem um quê de estranheza, se apresentarem a possibilidade de um novo ângulo, dinâmico ou incomum, sou seduzido imediatamente para elas. O resultado, quase sempre, é o que chamo de um diálogo curioso entre aparência e identidade. Assim foram feitas as imagens que ilustram esta crônica.
As opostas da Casa recebem uma boa atenção da imprensa. Os jornalistas especializados, treinados para novidades, veem ali um certo frescor, uma vontade de acertar, mas sem aquele comprometimento essencialmente comercial que, muitas vezes, tolhe a criatividade dos estilistas. Todos também costumam aguardar ansiosos pelo desfile de Walério Araújo, uma das figuras mais performáticas e famosas do evento. A cada edição ele procura surpreender os convidados com algo, digamos, no mínimo inusitado. Dessa vez equilibrava-se num salto alto e corria à boca pequena que estaria usando também uma micro calcinha. Não conferi.
As modelos já estão na fila, os desfiles vão começar. Entro pela boca de cena e me coloco no chão, enquanto os fotógrafos se aglutinam no pit, à milhas de distância. A minha visão é privilegiada. Entre os desfiles, três merecem especial destaque. André Lima que abriu o primeiro dia com uma retrospectiva de sua carreira, Moshe Sport, que teve como trilha o pocketshow de Daniel Peixoto, vocalista do Montage e Walério Araújo que fez seu mis an cene costumeiro e, mais uma vez, conseguiu atrair a atenção de todos.
Acabou. As luzes se apagam. Lá fora as pessoas ainda vão comentar "as novidades", por algum tempo. Na saída, percebo no chão uma rosa branca toda pisoteada. Lamento por ela e faço a imagem. Vou embora despretensiosamente reflexivo. Quando se trata de moda, tudo é mesmo muito efêmero.

3 comentários:

Paulo disse...

achei show teu blog. continua c/ mt talento.. como sempre..

nao sei se lembra de mim... eu tinha um flog..

me add no msn q eu te lembro.

paulo_chowks@hotmail.com

abs

Anônimo disse...

absolutely amazing!!!!!!!
adorei
L.

byfranzao disse...

very nice.......gostei do texto
add vc nos meus lidos....quero ler you!!

abraços