
Estive ontem na Balada Literária, um evento maravilhoso organizado pelo escritor Marcelino Freire, em São Paulo, voltei pra casa cheio de novidades, feliz por ter me encontrado e conversado com a escritora Lygia Fagundes Telles e com o meu querido amigo Alcides Nogueira, louco para dividir esse momento de alegria com vocês, mas sou obrigado a deixar esses assuntos mais leves para um próximo post. Depois de assistir àquele vídeo da agressão a um jovem na Av. Paulista, no último domingo, não pude e não quero me calar. É revoltante, para dizer o mínimo! “Batemos porque ele é veado” – teria dito um dos agressores, que alegou ainda que o jovem de 23 anos o teria “paquerado”. Ainda que isso fosse verdade, não lhe dava o direito de fazer o que fez. Quem assistiu àquelas terríveis imagens viu que a agressão foi totalmente gratuita, o ódio pelo ódio. Em dezembro do ano passado, um outro débil mental, Alessandre Fernando Aleixo, de 38 anos, atacou com um taco de baseball o designer Henrique de Carvalho Pereira, de apenas 22 anos, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, na mesma Av. Paulista. Depois de quase um ano, em estado vegetativo, o jovem morreu no Hospital das Clínicas. O agressor teria confessado em depoimento que queria atingir o dono da livraria que é judeu. Mais uma vez, o ódio pelo ódio.
Mas, voltando a esse caso mais recente... As investigações apontam que os mesmos agressores, entre eles quatro menores, são responsáveis por mais dois ataques. A justificativa da mãe de um deles foi patética, não sei se vocês leram no jornal: “Foi uma atitude infantil. Ele sai sempre com os amigos e nunca aconteceu absolutamente nada. É um garoto que tem boas notas. Estou constrangida pela situação”. Será que ela queria que o filho chegasse em casa e ainda lhe relatasse, com requintes de crueldade, os ataques aos gays dos quais costumava participar? Tenha, sim, VERGONHA!, minha senhora. Vergonha de ter colocado no mundo o seu manancial de ódio. Eu sempre tive boas notas no colégio e nunca saí à rua para agredir ninguém. Com a mesma idade do seu filho, eu estava lendo o melhor da literatura brasileira, escrevendo e dirigindo peças de teatro, assistindo a ótimos filmes, nunca quis e nem tive tempo de ir pra rua para agredir seja lá quem for. E a que raios de atitude infantil a senhora se refere? Deixe as crianças fora dessa sujeira! Assuma que falhou como mãe, é bem mais fácil de acreditar. Espero que a Polícia de São Paulo, por quem tenho grande respeito, não deixe esses babacas sem uma boa lição. Em pensar que o artista plástico Flávio de Carvalho já andou de SAIA, pasmem agora!, na mesma Av. Paulista, em meados dos anos 50, e sequer levou uma pedrada, uma ovada, tomatada, nada disso. Alguém poderia me responder o que está acontecendo com essa juventude pra ser, assim, tão covarde e burra?
Outro assunto bem chato e que também esteve na pauta de discussões desta semana foi aquele texto assinado pelo chanceler Augustus Nicodemus Gomes Lopes, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das mais tradicionais do país, dizendo que a entidade de ensino que representa é contrária ao projeto de lei que criminaliza a homofobia no Brasil, o PL 122. Nesse manifesto, a Mackenzie sugeria que os alunos se guiassem apenas pelos preceitos da Bíblia, focando principalmente a questão da sexualidade. Legal, hein? Primeiro é aquele linchamento da garota da minissaia, na UNIBAN (lembram?), depois é a volta da Idade Média proposta pela Mackenzie. É o progresso, minha gente! Eu não vi, por exemplo, nenhum texto desse chanceler ou de qualquer outro reitor, fora Mozart Neves Ramos, propondo alguma coisa para melhorar a deficiente educação brasileira. Se os presbiterianos da Mackenzie se acham no direito de dar pitaco nas questões políticas do país – e a péssima campanha eleitoral só serviu para reforçar esse mecanismo –, por que não o fazem em assuntos que lhes dizem respeito, que fazem parte do meio acadêmico? Ou será que algum aluno da Mackenzie não sabe ainda que estuda numa universidade protestante? Por favor, Márcia Tiburi, se pronuncie a respeito. É o mínimo que esperamos de você. Nem que seja para dizer que não compactua com o pensamento do seu patrão, embora pedir as contas você não deva fazer.
Queria colocar na roda também aquele princípio de “censura” ao livro do Monteiro Lobato, “Caçadas de Pedrinho”, mas esse é outro assunto que renderia um post inteiro. Então vou parando por aqui, mas quero reforçar que: ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas tem o dever de respeitar. Não estou aqui para levantar bandeira nenhuma também, nem gosto disso, vocês nunca viram um post meu com esse intuito, mas, se muitas pessoas estão usando também a internet para promover o ódio, nós, pessoas sensatas, de bem, cumpridoras dos nossos deveres, temos a obrigação de repudiar isso. E, quando uma universidade como a Mackenzie se coloca contra um projeto de lei que, aprovado, só ajudaria nesse sentido, é porque nem sequer saímos do atraso. Uma pena. A minha campanha é pelo livre-arbítrio, já! Alguém vai aderir?