
Prometi que voltava voando e voltei mesmo. Como já havia deixado no ar, estava escrevendo uma peça, mas não dei muitos detalhes sobre ela. Agora que já começou a sua divulgação, que a realização é oficial, posso falar um pouco mais. Trata-se de uma peça infantil chamada “Na Ilha, Na Vila, No Mar: Nunca Deixe de Voar”, com estreia prevista para 06 de junho, no Teatro Commune, Rua da Consolação, 1.218 (ao lado do Mackenzie e do TRT, sentido centro-paulista), em São Paulo. Aos sábados às 11:00 h e aos domingos às 15:00 h. Espero todos vocês lá!
Confesso que nunca havia pensado em escrever para crianças, mas acabei descobrindo o quanto é prazeroso criar histórias para elas. Não há aquela cobrança exagerada em acertar, basta escrever com o coração e tudo flui e termina dando muito certo. O convite surgiu através do Alexandre Acquiste, diretor da peça, que eu já conhecia há algum tempo, mas havia perdido o contato. A concepção do espetáculo, no entanto, já existia e, embora isso seja mais arriscado para quem costuma direcionar seus próprios projetos, aceitei a empreitada. Um risco também porque já estava com os quadros da minha exposição em andamento. Temi não dar conta do recado, mas optei por dar um tempo nas telas e pincéis, o que foi bom também, e mergulhei de cabeça no universo dos pássaros, os bichinhos que emprestam suas vidas aos personagens.
A peça é inspirada no livro “Meu Amigo Jim”, da escritora Kitty Crowther, e conta a história da amizade entre dois pássaros, Jack e Jim, um melro e uma gaivota respectivamente, sob o olhar atento de duas vizinhas bem fofoqueiras. Optamos por tratar de forma sensível, poética, com naturalidade, assuntos ainda hoje tabus como preconceito racial e homossexualidade. O incentivo à leitura também aparece com destaque. Sou suspeito, claro, mas não posso deixar de falar que o texto me emocionou bastante e tenho certeza de que vai acontecer o mesmo com quem for assisti-la.
Escolhi um trecho para vocês ficarem com água na boca, o momento em que Jack realiza o seu sonho de conhecer o mar.
Confesso que nunca havia pensado em escrever para crianças, mas acabei descobrindo o quanto é prazeroso criar histórias para elas. Não há aquela cobrança exagerada em acertar, basta escrever com o coração e tudo flui e termina dando muito certo. O convite surgiu através do Alexandre Acquiste, diretor da peça, que eu já conhecia há algum tempo, mas havia perdido o contato. A concepção do espetáculo, no entanto, já existia e, embora isso seja mais arriscado para quem costuma direcionar seus próprios projetos, aceitei a empreitada. Um risco também porque já estava com os quadros da minha exposição em andamento. Temi não dar conta do recado, mas optei por dar um tempo nas telas e pincéis, o que foi bom também, e mergulhei de cabeça no universo dos pássaros, os bichinhos que emprestam suas vidas aos personagens.
A peça é inspirada no livro “Meu Amigo Jim”, da escritora Kitty Crowther, e conta a história da amizade entre dois pássaros, Jack e Jim, um melro e uma gaivota respectivamente, sob o olhar atento de duas vizinhas bem fofoqueiras. Optamos por tratar de forma sensível, poética, com naturalidade, assuntos ainda hoje tabus como preconceito racial e homossexualidade. O incentivo à leitura também aparece com destaque. Sou suspeito, claro, mas não posso deixar de falar que o texto me emocionou bastante e tenho certeza de que vai acontecer o mesmo com quem for assisti-la.
Escolhi um trecho para vocês ficarem com água na boca, o momento em que Jack realiza o seu sonho de conhecer o mar.
JIM
...Chegamos. Que tal, hein? Não é bonito como eu falei?
JACK
...É lindo, Jim!...
JIM
...Você não viu nada ainda. Com bastante sol, o mar fica azulzinho, azulzinho.
JACK
...Quanta água!!!!
JIM
...É, é água que não acaba mais!!!
JACK
...Ainda bem porque eu adoro tomar banho.
JIM
...Mas no outono as águas são geladas, Jack.
JACK
...Eu não me importo.
JIM
...Eu gosto mesmo é desse pôr-do-sol. O céu fica tão bonito com esse tom de laranja e rosa. Parece até que Deus está pintando uma aquarela.
JACK
...E se vem a noite é porque Ele não gostou e escureceu tudo, não é?
JIM
...(num meio sorriso) Isso mesmo.
JACK
...E, no dia seguinte, é como se Ele começasse a pintar tudo de novo.
JIM
...(outro meio sorriso) É verdade. (tom) Você é muito inteligente, Jack.
Quem nunca trabalhou com teatro, não deve saber que a melhor definição pra ele é “um parto”. No caso específico de "Na Ilha...", uma cesariana, sem anestesia. Dias e dias discutindo os detalhes, buscando soluções cênicas e criativas para passagens inteiras do texto, enfim, enfrentando problemas também, porque todo trabalho coletivo não está imune a isso, mas, assim que coloquei o ponto final no texto, fui preenchido com aquela sensação gostosa de que valeu muito a pena. E a vida segue voando. Abração!