


Hoje é o dia mundial de luta contra a AIDS e seria bacana se as pessoas parassem um pouco para refletir sobre o assunto. Ainda que o HIV não seja + uma sentença de morte, por conta dos medicamentos que prolongam a vida dos pacientes ou das pesquisas atuais que apontam uma luz no fim do túnel, até pelo fato do Brasil ser uma referência no tratamento público da doença, mesmo assim, é importante se prevenir, principalmente usar camisinha. Na impossibilidade de não me parecer pedagógico demais, preferi fazer algumas intervenções artísticas, para reforçar a importância do dia. Sei que o estilista Carlos Tufvesson também está liderando uma campanha virtual no Twitter, pedindo que as pessoas coloquem em suas fotos aquele lacinho vermelho, símbolo mundial da luta contra a AIDS, o que também é bacana, mas preferi fazer algo diferente. O badalado artista plástico Vik Muniz também fez, neste ano, uma daquelas suas fotografias curiosas com vários soropositivos se beijando e, provavelmente, deve ser divulgada hoje.
Muito recentemente, fiz uma série de colagens, que pretendo postar aqui depois ou expor em algum lugar, inspirada num episódio envolvendo a cantora Daniela Mercury, que teria sido impedida de cantar num concerto de Natal, no Vaticano, em 2005, porque fez uma campanha de uso da camisinha, num Carnaval. Não só não concordo com a posição do Vaticano em relação ao uso de preservativos, como achei a atitude de barrar a cantora baiana, no evento, um tremendo absurdo. A questão não é religiosa, é de saúde pública mesmo, basta ver a situação desesperadora da África, com os seus milhões de infectados. Lá, o número de funerais, por causa da doença, ultrapassa a média dos cinco mil por dia. Dá para ignorar isso? Sem contar que, em nome de Deus, a Igreja Católica fez também barbaridades, as Cruzadas são apenas uma delas.
E nem é preciso dizer que o preconceito em relação aos soropositivos é uma bobagem, né? Estamos todos expostos às intempéries desses tempos malucos, correndo riscos... Pra quê lhes sonegar afeto ou tratá-los de forma diferente, não é mesmo? A frase do educador Rubem Alves, que coloquei ontem, no mural do meu ateliê, vem bem a calhar: “Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança”. Sobre a cura da AIDS, não apenas sou otimista como também reforço todo dia a minha esperança.
Existem vários livros e filmes sobre o tema, vou indicar os meus favoritos: a excelente autobiografia “Antes Que Anoiteça”, do escritor cubano Reinaldo Arenas, o filme também é muito bom, chorei pencas; os menos densos e carismáticos “Meu Caro H”, de Samir Thomaz e “A Corrente do Bem”, do Walcyr Carrasco; os filmes “Filadélfia”, com uma interpretação maravilhosa do Tom Hanks, “Gia - Fama e Destruição”, com outra brilhante atuação, dessa vez, da iniciante Angelina Jolie, e um que é bem sessão da tarde, mas que, se passar mil vezes, assisto a todas, “A Cura”. A peça “Angels in America”, que virou filme e minissérie da TV a cabo, também é muito bacana. Bem, vou ficando por aqui, porque tenho que organizar muitas coisas ainda. E a vida segue positiva. Abração!















